quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A oração no monte e os gravetos incandescentes

Bruno P. Cunha pergunta...

Estimado pastor Ciro, paz seja com o irmão.
Sou ovelha do Senhor Jesus e do pastor Francisco José da Silva, em Cordovil, RJ. Sou também seu leitor há muito tempo e li um trecho do seu livro mais recente — Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar —, em que o senhor vê com reservas os cultos realizados em montes. Sendo bastante objetivo na minha pergunta, quais são as objeções que o senhor tem em relação a esse costume tão evangélico quanto antigo de “subir o monte”?
Muitíssimo grato.

Pastor Ciro responde:

Prezado Bruno, a paz do Senhor!

Considero um privilégio fazer parte da Assembléia de Deus em Cordovil, que tem como pastor-presidente o amado irmão e amigo Francisco José da Silva, ministério vice-presidido pelo estimado amigo, mestre e pastor Antonio Gilberto.

Meu irmão, quanto a cultos em montes, tenho sim objeções. Não só em relação a montes, pois, em cidades brasileiras desprovidas de montes, o povo ora no meio do mato mesmo! Não sei se você sabe, mas o mormonismo, de Joseph Smith Jr., começou quando esse homem estava orando no meio do mato! Um anjo chamado Morôni se apresentou e... Bem, lugares assim costumam reunir pessoas voltadas ao misticismo, desprovidas de discernimento espiritual, sendo presas fáceis de espíritos enganadores e doutrinas de demônios (1 Tm 4.1; Gl 1.8).

Como já freqüentei lugares assim, quando era novo convertido, falo com conhecimento de causa. Aliás, justiça seja feita, existe em São Paulo, na cidade de Araçariguama, há cinqüenta quilômetros da capital, um lugar chamado Vale da Bênção, que, quando eu puder, volto lá para buscar a Deus, haja vista tratar-se de um local seguro. Eis aqui uma das minhas objeções a oração no monte: falta de segurança.

O irmão sabia que algumas irmãs já foram violentadas em certos montes? Sabia que alguns irmãos já foram assaltados? Em São Paulo, na Serra da Cantareira, irmãos foram atacados, há algum tempo, por um grupo de macacos! Isso mesmo. Lembra-se daquele jovem que morreu, no Rio de Janeiro, há alguns anos, vítima de um raio? Se ele estivesse orando dentro do templo ou em casa, como Jesus ensinou, a tragédia não teria acontecido.

Por que orar no monte? Muitos afirmam que ficam mais perto do Senhor; outros dizem ver gravetos pegando fogo... Ora, na escuridão de uma mata ocorre esse fenômeno natural, que é mais ou menos como aquela miragem que vemos na estrada. Experimente subir ao monte de dia para ver o graveto luminoso ou incandescente... O irmão conhece alguém que já viu um graveto pegando fogo durante o dia? Eu mesmo já fiz o teste. E, como somos espirituais — e os espirituais discernem bem tudo (1 Co 2.15) —, não podemos confundir fenômenos naturais com manifestações divinas sobrenaturais.

Moisés esteve na presença do Senhor no monte, que fumegava enquanto ele com Deus falava, como lemos em Êxodo 19. Isso sim é sobrenaturalidade! Jesus orava no monte também. E, na Transfiguração (e somente nesse caso), houve uma manifestação sobrenatural (Mt 17.1-13), embora nada comparável a supostos gravetos incandescentes...

Por outro lado, quais dos apóstolos oravam no monte? Para onde Pedro e João estavam indo, na hora da oração? Ao templo (At 3.1). Onde Pedro estava orando quando o Senhor lhe deu uma visão acerca da evangelização dos gentios? No terraço de uma casa (At 10.9). Nota-se que já nos tempos da igreja primitiva não se orava em montes.

Mas, por que o Senhor Jesus orava no monte? Porque queria ficar a sós com o Pai (Mt 14.23; Lc 9.18), e isso não seria possível na casa de alguém, devido ao assédio do povo, nem nas sinagogas, onde Ele era persona non grata (Lc 6.12; 22.44). Observe, porém, que Ele também orava em lugares desertos, não necessariamente em montes (Lc 5.16). E que não realizava cultos em lugares assim; Ele apenas fazia isso para ficar a sós com o Pai.

Jesus orava nos montes e lugares desertos porque não havia na época templos como os de hoje. Mas Ele foi claro, ao dizer: “A minha casa será chamada casa de oração” (Mt 21.13). E também afirmou: “... quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai...” (Mt 6.6).

Não chega a ser uma heresia orar em montes, vales ou no meio do mato. Mas, se não houver segurança, fazer isso é tentar ao Senhor. O crente que tem comunhão com Deus sabe que o Senhor ouve a sua oração no templo, em casa e em qualquer lugar (Mt 18.20; 1 Tm 2.8). Se houver um monte seguro, que não ponha em risco a integridade física dos freqüentadores, não vejo problema em freqüentá-lo. Agora, essa história de que os gravetos pegam fogo em cima do monte é misticismo puro!

Em Cristo,

CSZ

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Podemos falar com Deus face a face?

Mari Fernandes pergunta:

A paz, pastor Ciro! Tudo bem? Minha dúvida é a seguinte: Deuteronômio 5.4 diz que “Face a face o Senhor falou conosco...”, mas a própria Bíblia não diz que Moisés não suportou a glória de Deus? Tenho certeza de que o senhor irá me ajudar. Como estudante assídua da Palavra, admiro muito a forma como o senhor desmascara as mentiras dos últimos tempos.

Obrigada!

Pastor Ciro responde:

Prezada Mari, a paz do Senhor! Agradeço-lhe pelas palavras de incentivo.

Uma coisa é falar com Deus face a face, e outra, bem diferente, é vê-lo face a face, em glória, e fixar o olhar nEle. Vemos claramente essa diferença em Êxodo 33. No versículo 11 está escrito: “E falava o SENHOR a Moisés face a face, como qualquer fala com o seu amigo...”, mas, no versículo 20, o Senhor disse a Moisés: “Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá” (grifos meus).

No Novo Testamento, também vemos que João, o apóstolo, ao ser arrebatado em espírito, na Ilha de Patmos, não suportou fixar os olhos no Senhor Jesus glorificado. Por isso, disse: “E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; eu sou o Primeiro e o Último” (Ap 1.17).

Em resumo, podemos sentir a presença do Senhor, falar com Ele face a face, em oração (Jr 33.3; 29.13; 2 Cr 7.14,15), mas, no nosso atual estado, não podemos fixar o olhar no Cristo glorioso. Isso só será possível depois do Arrebatamento da Igreja, quando os nossos corpos mortais forem transformados (Fp 3.20,21; 1 Co 15.51-54), pois “... sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” (1 Jo 3.3, grifo meu).

Em Cristo,

CSZ

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Onde estão e o que estão fazendo os mortos em Cristo?

Renato Santana da Silva pergunta:

A paz do Senhor, pastor Ciro.

Parabéns pelo Blog do Ciro, que acesso assim que chego ao trabalho. Também lhe parabenizo pelo novo blog.

Há uma pergunta que muito me intriga: Onde estão os que morreram em Cristo Jesus, e o que estão fazendo? Desculpe-me do “o que estão fazendo?”, mas já escutei uns testemunhos e, como não tenho um profundo conhecimento nas Escrituras, não sei discernir se os relatos são ou não absurdos.

Um super-abraço! A pregação de domingo sobre a doutrina da Trindade me renovou!

Pastor Ciro responde:

Prezado Renato, a paz do Senhor! Agradeço-lhe pela “audiência” no Blog do Ciro e pelas palavras de incentivo. A pregação sobre a Trindade é muito necessária nesses tempos de relativismo.

Onde estão os que morreram em Cristo Jesus? Considerando que, de acordo com Eclesiastes 12.7, “... o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”, todas as pessoas, sem distinção, salvas ou perdidas, ficam sob o controle de Deus (Mt 10.28). Contudo, no caso dos salvos, não ficam apenas sob o controle divino; quedam-se aos cuidados do Todo-Poderoso e são levados ao Paraíso, no Céu (Fp 1.23; 2 Co 5.8; 1 Pe 3.22). Quanto aos ímpios, vão para o Hades (gr. hades e hb. sheol), um lugar de tormentos (Ef 4.8-10; Sl 139.8; Pv 15.24).

Os salvos em Cristo, portanto, estão no Paraíso, no Terceiro Céu, uma ante-sala do lugar de gozo pleno (Lc 23.43; 2 Co 12.1-4). Trata-se de um lugar onde os salvos se encontram na condição espírito+alma, isto é, o “homem interior” (2 Co 4.16). No caso desses mortos em Cristo, o seu “homem interior” encontra-se em um estado intermediário, aguardando o Arrebatamento da Igreja. Naquele grande Dia, os salvos, que aguardam no Paraíso, se unirão aos seus corpos, na terra (1 Ts 4.16,17). E, na condição espírito+alma+corpo, ingressarão no Céu final, definitivo.

Em 1 Tessalonicenses 3.13 está escrito: “que sejais irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, com todos os seus santos”. Essa passagem mostra que os santos de todas as épocas virão com Cristo, no Arrebatamento. Em outras palavras, o “homem interior” (espírito+alma) deles se juntará aos seus corpos, na terra, para a ressurreição, num abrir e fechar de olhos (1 Co 15.50-52).

Apesar de os mortos em Cristo se encontrarem na presença de Deus, ainda não foram transformados. Isso só acontecerá na ressurreição (1 Co 15.51). Seu estado é similar ao daqueles mártires que morrerão na Grande Tribulação, mencionados em Apocalipse 6.9-11. Esta passagem e a de Lucas 16.25 indicam que, no Paraíso, os salvos são consolados, repousam, estão conscientes e se lembram do que aconteceu na terra (cf. Ap 14.13). Contudo, após o Arrebatamento, estarão — no sentido pleno — “sempre com o Senhor” (1 Ts 4.17).

Nos tempos do Antigo Testamento, Paraíso e Hades ficavam na mesma região; eram separados por um abismo intransponível (Lc 16.19-31). Quando Jesus morreu, desceu em espírito a essa região e transportou de lá os salvos para o Terceiro Céu — para entender essa transição claramente, faz-se necessário estudar Mateus 16.18, Lucas 23.43, Efésios 4.8,9 e 2 Coríntios 12.1-4, nessa ordem. Quanto aos ímpios, permanecem numa espécie de ante-sala do Inferno final, o Hades, que não deixa de ser “um inferno”, um lugar de tormentos (Lc 16.23).

Quanto aos testemunhos de pessoas que pensam ter ido ao Céu e ao Inferno, é preciso ter cuidado, pois a Palavra de Deus é clara ao dizer que a glória futura ainda “... há de ser revelada” (Rm 8.18, grifo meu; 1 Pe 5.1; Dt 29.29). E o Senhor não contraria a sua Palavra.

Deus o abençoe.

CSZ

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Nem todo pregador é profeta

Vanessa, 21 anos, pergunta:

Paz do Senhor, pastor!

O que nós temos hoje são pessoas cheias do Espírito que têm o dom de profecia e entregam mensagens específicas para a Igreja exortando, consolando ou edificando, e ministros da Palavra que são profetas, pois o Senhor fala através deles com a Igreja? Então, quer dizer que todo pregador é profeta? E só é profeta quem prega? E o que Paulo quis dizer em 1 Coríntios 14.32 quando falou que os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas? E esse negócio de atos proféticos, intercessão profética, adoração profética, etc.?

Deus abençoe!

Pastor Ciro responde:

Olá, Vanessa!

O que é preciso ficar claro é que o dom de profecia está à disposição da Igreja de Cristo, mas só há manifestação desse dom onde há compreensão correta da doutrina dos dons espirituais e pessoas preparadas para serem usadas por Deus, como ocorria nas igrejas neotestamentárias (At 13.1-3; 1 Co 1.7). Todos os servos do Senhor podem buscar esse dom, não sendo exclusividade de certos privilegiados (1 Co 14.1).

Mas me parece que a sua principal dificuldade é quanto ao ministério profético (1 Co 12.28,29). Você me pergunta se todo pregador é profeta. É claro que não! Quando falamos em pregador, à luz da Bíblia, em certo sentido todos os crentes devem pregar o evangelho (Mc 16.15-18). Por outro lado, há o pregador chamado por Deus, especificamente para ser um arauto, um proclamador do evangelho, como o apóstolo Paulo, que aliás teve um chamamento tríplice: “Para o que (digo a verdade em Cristo, não minto) fui constituído pregador, e apóstolo, e doutor dos gentios, na fé e na verdade” (1 Tm 2.7).

Nem todos os pregadores com chamadas específicas são profetas. Uns são evangelistas, por exemplo:
“E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores” (Ef 4.11). Os pregadores-evangelistas pregam o evangelho com intrepidez e têm poder de convencimento, mas não são pregadores-profetas. Estes, ao discorrerem sobre a Palavra de Deus, transmitem mensagens proféticas específicas da parte do Senhor.

Você também me pergunta se só é profeta quem prega. Excentuando-se as pessoas usadas por Deus com o dom de profecia, que são chamadas no Novo Testamento de profetas (1 Co 14.29), o outro tipo de profeta é, sim, um pregador, um ministro do evangelho, dado por Deus à Igreja “... para obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4.12,13).

Sua última pergunta:
O que Paulo quis dizer em 1 Coríntios 14.32, quando falou que os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas? Ele quis dizer que devemos ter autocontrole. Os dons são produzidos sobrenaturalmente pelo Espírito Santo, mas nós não perdemos a consciência ou a razão, nem temos a nossa personalidade suprimida no momento da transmissão da profecia. Por mais poderosa que seja uma mensagem profética, podemos transmiti-la de maneira sóbria, sem excessos, pois o culto coletivo deve ter ordem e decência (1 Co 14.37-40).

Quanto a atos proféticos, intercessão profética, adoração profética, unção profética, dança profética, mover profético, ato profético, etcétera e tal, isso tudo são modismos da atualidade, usados, em muitos casos, por alguns líderes de denominações para conquistar mais e mais adeptos. A “simplicidade do evangelho” (2 Co 11.3) não dá muito “ibope”. Por isso, alguns têm preferido recorrer a atrativos e estratégias.

A paz do Senhor.

CSZ

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Não existe mais ministério profético?

Vanessa, 21 anos, pergunta:

A paz do Senhor, pastor!

Hoje em dia está tudo tão banalizado, que eu não sei mais o que tem respaldo bíblico e o que não tem. Segundo o meu pai, o ministério profético acabou no Antigo Testamento e, hoje em dia, temos apenas o dom de profecia. Mas tem muita gente fazendo atos proféticos, louvor profético, intercessão profética... e, dizendo que todos nós somos profetas, ordenam: “Profetiiizaaaa!” Afinal de contas, o que é profeta, profecia e ministério profético?

Vanessa

Pastor Ciro responde:

Olá, Vanessa!

Ah, meus 21 anos! É bom saber (risos) que uma jovem como você se interessa pelo estudo da Palavra de Deus. Gostaria que soubesse que recebi todas as suas perguntas e procurarei respondê-las na medida do possível. E essa primeira é muito pertinente.

Concordo com você quanto à grande banalização da profecia, em nossos dias. Tudo é profético. Aqui no Rio de Janeiro certo grupo “evangélico” escalou o Dedo de Deus, na Região Serrana, a fim de ungi-lo. Para quê? Para declarar “profeticamente” que esse Estado é do Senhor Jesus! Há algum tempo, certa cantora disse ter usado botas confortáveis para pisar “profeticamente” na cabeça do Diabo, etcétera e tal.

Bem, deixando de lado modismos e efemeridades, você me fez uma tríplice pergunta — “Afinal de contas, o que é profeta, profecia e ministério profético?” — e merece uma resposta igualmente tripartida. No Novo Testamento temos dois tipos de profeta: o que exerce o ministério, isto é, o ofício de profeta (1 Co 12.29; Ef 4.11); e o que é usado com o dom de profecia (1 Co 14.29-32).

O dom de profecia está à disposição de todos os servos de Deus (1 Co 14.31); trata-se de uma capacitação sobrenatural do Espírito, concedida ao crente, em geral durante o culto coletivo (1 Co 14.26-30), a fim de que ele transmita uma mensagem de edificação, consolação ou exortação à igreja local (1 Co 14.3). Já o ofício de profeta diz respeito a um ministro, um pregador dado por Deus à Igreja (Ef 4.11-15; At 15.32; 21.10).

Segue-se que há dois tipos de profeta e, conseqüentemente, duas modalidades de profecia. O pregador chamado por Deus (1 Tm 2.7), ao expor a Palavra, é usado pelo Senhor para falar da parte dEle (1 Co 11.23). Mas o dom de profecia não requer chamada específica. Qualquer crente, desde que seja um “vaso preparado” (2 Tm 2.20,21), cheio do Espírito Santo (Ef 5.18) e revestido de poder do alto (Lc 24.49; At 1.8; 2.1-4), pode transmitir uma mensagem profética.

Quanto ao ministério profético, é importante fazer aqui um esclarecimento. O Senhor Jesus, ao afirmar que os profetas e a lei profetizaram até João Batista (Mt 11.13), referiu-se ao ministério profético nos moldes do Antigo Testamento. Ou seja, apesar de João Batista aparecer no Novo Testamento, ele teve um ministério similar ao exercido pelos profetas dos tempos veterotestamentários. Portanto, conforme demonstrei acima, existe sim ministério profético em nossos dias.

Quem ainda consulta certos “profetas” quanto a viagens, casamentos, sexo do bebê, etc. é porque ainda não aprendeu que há diferença entre os profetas (e os seus modos de profetizar) dos tempos do Novo e o do Antigo Testamentos. Hoje, não há mais a necessidade de se consultar profetas, como ocorria antigamente (1 Rs 22.15-28; Jr 37.16,17), pois temos a Bíblia completa (Sl 119.105; Rm 15.4; 2 Tm 3.16,17). Ademais, em nossos dias, o Espírito Santo fala como e quando quer, e não quando queremos que Ele fale (1 Co 12.11).

Diante do exposto, Vanessa, se você já está pensando em casamento — deve estar, pois as mulheres depois dos 20 já começam a imaginar que ficarão para “titias” —, não dê ouvidos a “profecias casamenteiras”...

A paz do Senhor!

CSZ

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Pedro foi o primeiro papa? Maria teve outros filhos?

A católica Míriam pergunta:

Jamais a Igreja Católica, em tempo algum, será abalada por pessoas que se dizem pastores de Cristo, ou mesmo por alguma seita ou por falsos profetas, que são desobedientes à Cristo e à sua Igreja, porque Cristo disse: “Pedro, tu és pedra e se tornou o primeiro papa”. Por que a sua desobediência? Seja obediente a Cristo, e todas as verdades virão a seu tempo. Por que atacar a própria Igreja Católica Apostólica Romana, se você ama mesmo Cristo? Deixe as agressões e as divisões de lado, pois você se diz cristão e agride os próprios cristãos. Deixe os cristãos em paz e faça jejum. Obrigada.

Míriam

Pastor Ciro responde:

Prezada senhora Míriam,

Agradeço-lhe por enviar-me o seu desabafo, acompanhado de alguns questionamentos. Embora eu não saiba exatamente o que motivou a sua revolta contra a minha pessoa, por assim dizer, tentarei responder às suas indagações.

Bem, a senhora diz que jamais a Igreja Católica, em tempo algum, será abalada por pessoas que se dizem pastores de Cristo, ou mesmo por alguma seita ou por falsos profetas. Concordo com a senhora, mas a Igreja Católica que jamais será abalada não é a Igreja Católica Apostólica Romana, e sim a Igreja Católica formada por todos os santos de todas épocas. E muitos desses santos foram assassinados, ao longo dos séculos, pelo romanismo, a
“outra Igreja Católica”. Não confunda a pura e imaculada Igreja, o Corpo de Cristo, com a Igreja Romana, que é apenas uma grande instituição religiosa, mas que não tem a Bíblia como a sua fonte primacial de autoridade.

A senhora cometeu dois erros graves: considerar desobediência da minha parte a não aceitação de que Pedro foi o primeiro papa; e, a fim de fundamentar essa dura acusação, modificar imprudentemente a declaração do Senhor Jesus constante em Mateus 16.18. Mas sei que os seus desvios, prezada Míriam, decorrem do seguinte fato: para os católicos romanos, a fonte máxima de autoridade não é a Palavra de Deus, e sim uma teologia extrabíblica, baseada na tradição papista.

Onde está escrito na Bíblia que Pedro foi o primeiro papa e que ele é a pedra fundamental da Igreja? Bem, se isso fosse verdade, Pedro teria sido um papa muito diferente... Primeiro, Cefas era repreensível (Gl 2.11) — é claro que Bento XVI também o é. Segundo, ele era casado (Mt 8.14,15). Terceiro, pobre (At 3.6). Quarto, nunca recebeu adoração ou veneração (At 10.25,26). Outrossim, quando foi mesmo que Pedro esteve em Roma?

A senhora está ciente de que desobedientes são aqueles que não seguem à Palavra de Deus? O que ela diz acerca do Senhor Jesus tem algum valor para a senhora? Em 1 Coríntios 3.11 está escrito: “... ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo”. Por que, então, o romanismo insiste em afirmar que Pedro é o fundamento da Igreja? Porque a fonte de autoridade dessa grande religião é a teologia papista. E, ao se firmar nela, os católicos consideram todas as outras fontes secundárias, inclusive a Palavra de Deus. Isso, sim, é desobediência!

É claro que os teólogos romanistas admitem crer na Bíblia! Mas dizer não é o mesmo que praticar, haja vista eles empregarem o texto sagrado convenientemente, a bel-prazer, fora de contexto, para corroborar o que o papismo afirma. Usam Mateus 16.18 para justificar a primazia de Pedro, ignorando que a pedra à qual Jesus fez referência é a própria declaração que o apóstolo fizera: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (v.16). Aliás, o mesmo Pedro reconheceu — pregando e escrevendo — que Jesus é a pedra fundamental da Igreja (At 4.11; 1 Pe 2.4). Por que a senhora não lê em sua Bíblia essas referências?

Aproveitando o ensejo, onde está escrito, na Bíblia Sagrada, prezada senhora Míriam, que Maria é mediadora e que morreu virgem? A Palavra de Deus diz claramente que só existe um Mediador: Jesus Cristo (1 Tm 2.5; At 4.12; Jo 10.9; 14.6). E, como Maria teria morrido virgem, se as Escrituras, em Mateus 13.55, mencionam os outros filhos dela?

Não me venha com essa teoria extrabíblica e antibíblica de que os irmãos de Jesus eram primos, pois a própria Bíblia diz claramente que o Ele foi o primogênito de Maria, isto é, o seu primeiro filho (Lc 2.7). Ora, essa ênfase não é uma prova de que a mãe do Senhor teve outros filhos? Como a senhora mesma disse que todas as verdades virão a seu tempo, espero sinceramente que essas verdades bíblicas encontrem lugar em seu coração enquanto há tempo (Hb 3.15).

Em Cristo, o único Mediador,

CSZ

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O que significa “reteté”?

Márcio Gomes pergunta:

Querido pastor Ciro, recebi um convite para uma vigília denominada “Reteté”. Já procurei o significado dessa palavra e não encontrei nada. Você sabe alguma coisa? Sua origem é grega ou judaica? Qual é o seu significado? É apenas algum tipo de clichê neopentecostal?

Abração!

Márcio

Pastor Ciro responde:

Caro Márcio, viajo muito e ouço bastante acerca do “reteté”. Como alguns pregadores gostam dessa palavra, a sua propagação tem acontecido em larga escala. Num dia desses, um amigo que mora em Lisboa, Portugal, disse-me que certo pregador brasileiro, após apresentar o seu currículo, afirmou: “Eu gosto mesmo é do reteté”, deixando os irmãos portugueses curiosos quanto ao significado desse vocábulo.

Uns dizem “reteté”, e outros, “repleplé”. Ninguém sabe ao certo o que significam essas expressões onomatopaicas. Mas elas devem ter se originado de brincadeiras de péssimo gosto com as línguas estranhas, com o intuito de identificar pretensos cultos pentecostais. Digo pretensos em razão de, nos cultos genuinamente pentecostais, haver exposição da Palavra e manifestação do poder de Deus, e não brincadeiras com os dons espirituais e mau uso deles, como ocorre em certos ajuntamentos.

No meu livro mais recente, MAIS Erros que os Pregadores Devem Evitar, eu discorro sobre alguns cultos estranhos, denominados de “reteté”. Este termo não consta de dicionários oficiais, embora haja quem diga que ele teve origem no italiano. Dizem que relaciona-se com a culinária e significa: “mistura”, “movimento”, “reboliço”, “festa”, “aquilo que foge da normalidade”, etc. Bem, se fosse esse mesmo o sentido do termo em apreço, estaria de acordo com o seu emprego usual e comum, haja vista os chamados cultos do “reteté” serem marcados por muito “reboliço”, em contraposição ao que está escrito em 1 Coríntios 14.

Em Cristo,

CSZ