terça-feira, 10 de maio de 2016

Resposta a uma mulher aflita que perdeu seu bebê


“Querido pastor Ciro,


Entendo sua dor, pois estou vivendo uma situação horrível, pela perda do meu filho. Espero que logo seu pai se recupere. Acompanho seu blog há muito tempo e estou vivendo um momento muito difícil na minha vida agora. Estava grávida de gêmeos, e um deles, com seis dias de nascido, Deus o levou...


Estou em depressão e revoltada com Deus... Para desabafar, e como gosto de escrever, estou escrevendo no meu blog. Por favor, visite-o para ver como tenho vivido e, por favor, não me julgue. Estou fraca, não perdi a fé em Deus, continuo amando-o, mas estou muito decepcionada... Ele sempre foi meu Amigo e Pai, e quando mais precisei não apareceu...


Eu preciso de uma ajuda sua pra esclarecer umas dúvidas. Todos ficam me dizendo que agora meu filho é um anjo, que está lá no céu com Deus, que cuida de nós... Confesso que nesse momento não acredito em nada disso e gostaria de saber da verdade de acordo com a Bíblia. Não quero viver der ilusões. Preciso de respostas verdadeiras para tentar segui-las.


Os bebes viram anjos e vivem lá com Deus? Onde estão só bebês? Onde está o meu bebê agora? Por favor me responda o mais rápido possível... Não aguento mais essas teorias cheias de ilusões... Visite meu blog para entender as minhas “loucuras”. Por favor, não se assuste... Estou sofrendo muito... Estou em grande depressão... Depois da sua resposta, pretendo fazer um post sobre esse assunto.


Um forte abraço e obrigada.”


Cássia Cohen


MINHA RESPOSTA:


Querida Cássia, a paz do Senhor.


Em primeiro lugar, minha família e eu lhe somos gratos pelas orações. Meu pai permanece internado e se alimenta através de uma sonda, mas estamos confiando no Senhor Jesus, que está no controle de todas as coisas. Agradeço-lhe também por ser uma leitora do Blog do Ciro.


Receba as minhas condolências pela partida do seu querido Oliver (o nome dele não aparece no comentário que a irmã me enviou, mas já acessei seu blog, a fim de conhecer melhor a sua história). Não pensei muito para começar esta minha resposta. Apenas
orei a Deus e lhe pedi sabedoria e graça para dar a você, na medida em que for escrevendo, não a resposta que gostaria de receber, e sim a que precisa receber.


Suas dúvidas, revoltas e angústias são legítimas e compreensíveis. Você afirmou que está fraca, mas não perdeu a fé em Deus e continua amando-o. Lembrei-me imediatamente de
1 Coríntios 13.13: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor”. Vejo, nas suas perguntas, que há fé em seu amoroso coração de mãe. E você tem esperança de, um dia, rever Oliver, em outra dimensão. Por isso, vou começar respondendo às suas indagações.


Pessoas costumam dizer que os salvos em Cristo que partiram para a eternidade são anjos. Na verdade, o Senhor Jesus ensinou que
“na ressurreição [...], serão como os anjos no céu” (Mt 22.30). Ou seja, quando Ele voltar para buscar o seu povo, no Arrebatamento da Igreja, os mortos em Cristo ressuscitarão (1 Ts 4.16,17) e todos os salvos terão os seus corpos transformados, “conforme o seu corpo glorioso [o de Cristo Jesus], segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Fp 3.19,20). Quando tivermos nossos corpos transformados, seremos como anjos, isto é, não mais sujeitos às leis da natureza. Teremos um corpo similar ao de Jesus, em sua ressurreição.


Mas, se teremos corpos glorificados e seremos como anjos somente no Arrebatamento da Igreja, qual é a condição dos salvos em Cristo que partiram para a eternidade? Onde está Oliver neste momento? O ser humano é tripartido, isto é, formado por espírito, alma e corpo
(1 Ts 5.23). O corpinho de Oliver foi sepultado, mas aquilo que o vivificava, o “homem interior” (espírito+alma), está com o Senhor, no Paraíso (2 Co 12.1-4).


O Paraíso é um lugar de gozo, mas é temporário, haja vista o salvo ali ainda não estar no seu estado de glorificação plena (espírito+alma+corpo), o que só acontecerá por ocasião da ressurreição
(1 Co 15). Mas, mesmo nesse estado intermediário, o salvo em Cristo é consolado pelo Senhor (Lc 16.19-31; Ap 6.9-11).


Você poderá perguntar: “Como posso ter a certeza de que o meu bebê está no Paraíso?” Descanse no Senhor. Ele garantiu que as crianças que morrem antes de atingir a idade da razão estão salvas:
“E Jesus, chamando uma criança, a pôs no meio deles e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus” (Mt 18.2,3).


Há teólogos afirmando que recém-nascidos poderão ser condenados por causa do pecado original, que passou a todos os homens
(Rm 5.12). Outros têm dito que Deus, em sua presciência (atributo exclusivo da deidade pelo qual o Deus trino conhece antecipadamente todas as coisas), condenou recém-nascidos ao Inferno, haja vista saber de antemão que eles não se salvariam ao chegarem à idade da razão. Não acredite nessas teorias! Acredite nas palavras do Senhor Jesus!


Uma condenação justa, baseada no pecado original, só se justifica depois de o pecador tomar conhecimento de que nasceu em pecado
(Sl 51.5; Rm 3.23). Isso não se aplica a um infante que morre ao nascer. Deus é justo e julga a todos com retidão (Gn 18.25; Rm 3.5; 2 Tm 4.8). No Juízo Final, os réus serão condenados de acordo com as suas obras (Ap 20.12,13; 21.8). Que obras más fez um recém-nascido? Aliás, em Marcos 16.16, está escrito: “quem não crer será condenado”. Como um recém-nascido seria condenado, uma vez que morreu antes de alcançar a maturidade necessária para crer?


Creia nas palavras do Senhor Jesus. Ele ensinou que, para entrar no Reino de Deus, é preciso ser como uma criança. E, se as crianças foram tomadas por Ele como exemplo de quem entrará no Reino de Deus, logo todas elas, em sua fase da inocência, têm a garantia do Senhor Jesus de que estão salvas:
“dos tais é o Reino dos céus” (Mt 19.14). Oliver está com o Senhor Jesus, salvo, protegido, aguardando o grande Dia do Arrebatamento! Quanto a você, embora esteja aflita, por ter perdido o seu bebê, saiba que sua vida também está nas mãos do Todo-Poderoso.


Tenho aprendido, querida Cássia, a glorificar a Deus por todas as coisas que acontecem, ainda que não entenda algumas delas. Já enfrentei grandes dificuldades. E aprendi que a vida na terra, mesmo para o cristão, não dispensa o sofrimento. Em momentos de angústia, gosto de me lembrar de
2 Coríntios 4.16: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente”.


Todos passamos por momentos de fraqueza e perguntamos: “Onde estava Deus? Por que Ele não impediu que o mal acontecesse?” Já fiz muito essa pergunta, no meu coração. Você se lembra de que o apóstolo Paulo pediu por três vezes que o Amigo e Pai lhe tirasse uma aflição, e aparentemente não houve resposta alguma? Mas ele não desistiu e recebeu, no momento certo,
a resposta que precisava ouvir, e não a desejava ouvir: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12.9a).


Deus não tirou de Paulo o “espinho” que tanto o afligia. E ele podia ter ficado revoltado com essa atitude do Senhor. Entretanto, aquele apóstolo entendeu que a vida do cristão na terra não é livre de sofrimento. Ele precisa contar com a graça consoladora e fortalecedora do Senhor. E, ao aprender isso, Paulo passou a agir com resignação:
“De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo” (2 Co 12.9b).


É natural que priorizemos o lado negativo, nos momentos de provação. Mas, se Deus tivesse levado seus dois bebês, querida Cássia, mesmo assim você teria razões para glorificá-lo. Ele, que é soberano, lhe deu duas flores, Oliver e Christopher, e recolheu uma delas para o seu jardim, deixando outra aos seus cuidados. Por mais difícil que lhe seja aceitar isso, é preciso glorificar a Deus e ser-lhe grata por lhe ter dado Christopher.


O Senhor muitas vezes não permite que passemos pela angústia. Mas Ele também, assim como aconteceu com o apóstolo Paulo, nos livra na — e durante a — angústia. O que está escrito em
Salmos 46.1? “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia”. Ele conhece bem a sua estrutura, amada serva do Senhor, e sabe o quanto pode suportar.


Que o Deus de toda a consolação conforte o seu coração. E lembre-se de que, no Arrebatamento da Igreja, estaremos todos juntos: você, Oliver, Christopher, este editor de blog, nossos amigos e parentes salvos em Cristo, etc.
“Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras” (1 Ts 4.18).


CSZ

PERGUNTE O QUE VOCÊ QUISER. PASTOR CIRO RESPONDE

Olá, querido internauta!

Insira um comentário nesta postagem contendo a sua pergunta. E eu lhe darei uma resposta sucinta e objetiva. Se a questão for muito difícil, preparei um artigo para o Blog do Ciro. Participe!

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 12 de abril de 2011

O que é o batismo com o Espírito Santo e com fogo? (2)


No artigo anterior, procurei demonstrar, pela analogia geral da Bíblia, que o batismo com o Espírito Santo e com fogo (Mt 3.11; Lc 3.16) é uma coisa só, não havendo base contextual suficiente para a criação de outro batismo de julgamento, distinto do batismo com o Espírito Santo.

Segue-se que o fogo, nas passagens sinóticas mencionadas, foi empregado tão-somente para ajudar-nos a compreender, pela sua riqueza simbólica, a multíplice manifestação do Espírito na igreja. Não foi por acaso que o apóstolo Paulo asseverou: “Não extingais [apagueis] o Espírito” (1 Ts 5.19).

Paulo usou a figura do fogo para ilustrar a manifestação do Espírito no meio do povo de Deus. Isso porque o fogo alastra-se, comunica-se, purifica, ilumina, aquece, etc. Assim é a manifestação do Espírito como fogo.

Para muitos, a dificuldade em aceitar o batismo com o Espírito Santo e com fogo deve-se ao fato de a salvação em Cristo também ser descrita, figuradamente, como um batismo (1 Co 12.13, Gl 3.27; Ef 4.5). Todos os salvos, verdadeiramente, foram batizados pelo Espírito, imersos, feitos participantes do Corpo místico de Cristo, que é a sua Igreja (Hb 12.23; 1 Co 12.12ss). Nesse batismo da conversão, recebemos vida de Deus, mas o batismo com o Espírito e com fogo confere-nos poder de Deus (At 1.8).

Os discípulos que foram agraciados com o revestimento de poder no dia de Pentecostes já eram salvos! Observe a promessa que o Senhor havia feito a eles: “Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At 1.5).

Quando o apóstolo Paulo passou por Éfeso, depois de Apolo, disse aos salvos que ali estavam: “Certamente João [Batista] batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e profetizavam” (At 19.4-6).

Portanto, num sentido, todos os salvos foram batizados pelo Espírito Santo no Corpo de Cristo. Noutro, nem todos foram batizados com o Espírito Santo e com fogo, conquanto esse dom esteja à disposição de cada salvo em Cristo. Afinal, essa “promessa [...] diz respeito [...] a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar” (At 2.39).

Amém?

Ciro Sanches Zibordi

O que é o batismo com fogo?


Na lição 2 da Escola Bíblica Dominical (estudada no último domingo), das Lições Bíblicas deste trimestre (CPAD), está escrito: “Em Lucas 3.16, o fogo é apresentado como elemento purificador na vida de quem recebe o batismo com o Espírito Santo”. Mas, como explicar o fato de João Batista ter falado do fogo do juízo e, no mesmo contexto imediato, aludir a uma ministração do Espírito Santo?

Em Lucas 3.16, lemos: “Eu, na verdade, batizo-vos com água, mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de desatar a correia das sandálias; este vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”. Essa passagem e também Mateus 3.11 nos apresentam, a rigor, dois tipos de batismo: (a) em águas, para arrependimento, e (b) com o Espírito Santo e com o fogo, um revestimento de poder para os salvos em Cristo (cf. Lc 24.49; At 1.5,8; 2.1-4).

Para interpretar as passagens bíblicas corretamente, além da iluminação do Espírito, precisamos levar em conta os princípios da Hermenêutica Bíblica — a arte e a ciência de interpretar os textos das Escrituras. E a principal função dessa matéria é aclarar passagens de difícil compreensão (cf. 2 Pe 3.16), conquanto seja também muito útil na interpretação geral das Escrituras.

O princípio dos princípios de interpretação (a regra áurea) da Hermenêutica Bíblica é: A Bíblia interpreta a própria Bíblia (cf. 2 Pe 1.20,21). Ou seja, as Escrituras são análogas. E, nesse caso, para interpretar uma passagem bíblica, é preciso considerar todos os tipos de contextos: (a) contexto geral; (b) contexto imediato; (c) contexto remoto: há alusões do Gênesis em Hebreus, por exemplo, que complementam o que está no primeiro livro do Antigo Testamento; (d) contexto referencial: passagens paralelas; (e) contexto histórico: época, cultura, ocasião, propósito original dos textos em estudo, etc.; (f) contexto literário: cada parágrafo é uma unidade de pensamento da revelação da Bíblia; (g) contexto cultural: estudo sobre os povos bíblicos.

No caso de Lucas 3.16 (ou Mateus 3.11), o contexto imediato não é suficiente para uma correta interpretação. Por quê? Porque, por meio dele, o exegeta pode ser induzido a interpretar, apressadamente, que há mesmo uma distinção entre o batismo com o Espírito Santo (uma bênção) e o batismo com fogo (juízo divino). E essa conclusão não é corroborada por todos os contextos mencionados.

Em primeiro lugar, o próprio Senhor Jesus, antes de sua ascensão, fez menção do revestimento de poder aludido por João Batista nos seguintes termos: “Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At 1.5). Observe que o Senhor não apresenta o “batismo com fogo”, dando a entender que o Batista apenas aludiu ao fogo de maneira simbólica, para enfatizar os seus aspectos, ilustrando as ministrações do Espírito: iluminação, fervor, purificação, etc.

É importante considerar que João Batista, a despeito de aparecer no Novo Testamento, exerceu um ministério profético nos moldes do Antigo Testamento (Lc 16.16). E para os profetas veterotestamentários era comum falar de bênçãos e juízos de modo intercalado. Veja o caso de Isaías 61.1-3. O profeta discorre sobre várias bênçãos trazidas pelo Messias e, ao mesmo tempo, menciona “o dia da vingança do nosso Deus” (v.2). Em Zacarias 9 ocorre o mesmo: bênçãos e juízos se intercambiam.

Nesse caso, o fato de João Batista ter mencionado antes e depois da promessa do revestimento de poder o juízo por meio do fogo (Mt 3.10-12) não oferece base suficiente para distinguirmos entre o batismo com o Espírito e o batismo com fogo.

De acordo com a analogia geral, o fogo não significa apenas juízo, mas também denota purificação, iluminação e fervor propiciados pelo Espírito. E, por isso, no dia de Pentecostes, “foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles” (At 2.3).

Finalmente, menciono a opinião do respeitado teólogo pentecostal French L. Arrington: “O batismo com fogo [...] não diz respeito, pelo menos primariamente, ao julgamento final e à destruição por fogo dos ímpios, mas aos acontecimentos momentosos do Livro de Atos. A unção com o Espírito não é identificada explicitamente com o batismo com o Espírito e com fogo, mas Jesus confirma a promessa de João Batista acerca do batismo [...], o qual é cumprido como ‘línguas de fogo’ que pousaram sobre cada um dos discípulos” (Comentário Bíblico Pentecostal, CPAD, p.335).

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Não toqueis nos meus ungidos?


A frase bíblica “Não toqueis nos meus ungidos” (Sl 105.15) tem sido empregada para os mais variados fins. Maus obreiros, falsos profetas, adoradores-ídolos e até políticos evangélicos se valem dela para ameaçar seus críticos; crentes mal-orientados usam-na para defender o seu “ungido”, mesmo que ele defenda abertamente o aborto; e outros ainda a empregam para reforçar a ideia de que não cabe aos servos de Deus julgar ou criticar heresias e práticas antibíblicas.

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Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O que está acontecendo com a Assembleia de Deus?


Não sou assembleiólatra. Nunca ignorei os problemas ligados à denominação Assembleia de Deus. Recentemente, por exemplo, posicionei-me contra o envolvimento do líder de uma das importantes convenções assembleianas com o moonismo. Outra prova de que não me apego de modo idolátrico à denominação à qual pertenço é o fato de reconhecer o lado bom das outras denominações, como fiz, há pouco tempo, ao elogiar a Igreja Presbiteriana do Brasil por sua posição contrária às seitas neopentecostais.

Por outro lado, sou cristão, pentecostal e assembleiano. E, nesse caso, não posso concordar com movimentos antipentecostais e antiassembleianos, que, a cada dia, ganham novos adeptos. Por que não concordo com o antiassembleianismo, especificamente? Por ser assembleiano? Prioritariamente, não. Em João 7.24, o Senhor Jesus asseverou: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça”. E muitos oponentes da aludida denominação histórica estão sendo injustos em sua criticidade extremada.

Julgar segundo a reta justiça não é: generalizar, tomando a parte pelo todo; julgar sem conhecer a estrutura de uma denominação; confundir fatos com boatos, principalmente quando se trata de denúncias ligadas a candidatos A e B; basear-se em simbologia forçada para acusar denominações de envolvimento com sociedades secretas; ignorar a história; não reconhecer o lado bom de uma instituição, principalmente quando este é muito superior a fatos negativos isolados.

Vejo na Internet blogs e vídeos no YouTube, bem como recebo e-mails contendo acusações à Assembleia de Deus, de modo genérico. Mas a culpada pelos despropósitos mencionados pelos acusadores é a denominação histórica em apreço ou os pretensos pastores que não fazem jus ao título ministerial que receberam, visto que apresentam condutas e posturas antiassembleianas e até anticristãs?

Ora, Assembleia de Deus é um título, uma denominação, que sofre na mão de muitos enganadores, assim como o título Igreja Batista também tem sido usado de modo inconveniente por muitos. Um dia desses, por exemplo, eu deparei com uma igreja chamada Igreja Batista Ministério Deus É Pentecostal. Seria justo se eu verberasse contra a Igreja Batista, de modo geral, por causa do que vi? Claro que não! Além de generalizar, eu estaria mostrando que desconheço o fato de essa histórica denominação ter se dividido e subdividido, ao longo dos anos.

É claro que esse argumento não se aplica a todas as denominações. A Igreja Universal do Reino de Deus, por exemplo, é única em qualquer lugar e segue a mesma cabeça, sempre. Não há várias Universais dentro da Universal. Entretanto, no caso da Assembleia de Deus e da Igreja Batista, duas denominações que tomei como exemplo no parágrafo anterior, existem várias Assembleias e Batistas espalhadas pelo mundo que não fazem jus ao perfil de suas denominações históricas.

Assim como a Igreja Batista, a Igreja Presbiteriana, a Igreja Metodista, a Igreja Quadrangular, etc. devem ser respeitadas como denominações históricas, a Assembleia de Deus também merece todo o respeito. É preciso priorizar, nas críticas, a parte envolvida, e não o todo.

Quem conhece a complexa estrutura da Assembleia de Deus sabe que, hodiernamente, a CGADB nada tem que ver com a convenção também nacional da CONAMAD, por exemplo. No caso da CGADB, especificamente, a maioria dos Estados brasileiros possui, no mínimo, uma convenção de ministros ligada à Convenção Geral. E cada uma das convenções estaduais são, em certo sentido, independentes, assim como os ministérios associados a elas...

Por graça de Deus, eu viajo bastante para ministrar a Palavra do Senhor e tenho conhecido a Assembleia de Deus de modo abrangente, em todo o Brasil e fora dele. E posso afirmar, de modo peremptório, que essa denominação possui em suas fileiras valorosos homens de Deus em todas as convenções (CGADB, CONAMAD, etc.) e ministérios.

Sou até capaz de citar nomes, de memória, de alguns referenciais da Assembleia de Deus, sem levar em conta convenções nacionais, estaduais, ministérios, campos, setores, por região, em ordem alfabética, de Sul a Norte:

Sul: Arcelino Victor de Melo, Argemiro da Silva, Cesino Bernardino, Daniel Acioli, Edimundo de Souza, Eliezer de Moraes, Ezequiel Montanha, Geraldino da Silva, João Ceno, José Alves da Silva, José Anunciação dos Santos, José Pimentel de Carvalho, José Polini, Juvenil dos Santos Pereira, Ubiratan Batista Job, Wagner Tadeu dos Santos Gaby, etc.

Sudeste:
Alcides Favaro, Alexandre Sá, Álvaro Além Sanches, Anselmo Silvestre, Antonio Gilberto, Antonio Santana, Carlos Roberto da Silva, Celso Brasil, Doronel Camilo, Esequias Soares, Francisco José da Silva, Jayjairo Castelo, Joedson Costa Dias, José Carlos Padilha, José dos Santos, José Prado Veiga, José Wellington Bezerra da Costa, José Wellington Costa Júnior, Josué de Campos, Lauri Villas Boas, Marinaldo Rodrigues, Moisés Rodrigues, Nataniron Cunha, Oscar Domingos de Moura, Salatiel de Carvalho, Samuel Rodrigues, Severino Pedro da Silva, Tarcísio de Abreu, Temóteo Ramos de Oliveira, etc.

Centro-Oeste: Adjair Macedo, Antonio Dionízio da Silva, Elienai Cabral, JosualdoMendes Dreger, Odilon Xavier, Orcival Xavier, Sebastião Rodrigues de Souza, etc.

Nordeste: Aílton José Alves, Elinaldo Renovato de Lima, Erivelto Gonçalves, Joeser Santana, José Antonio dos Santos, José Apolônio, José Gonçalves, José Guimarães Coutinho, José Teixeira Rêgo Neto, Josué Brandão, Martim Alves da Silva, Nestor Mesquita, Ozires Pessoa, Pedro Aldi Damasceno, Raimundo João de Santana, Raul Cavalcante, Roberto dos Santos, Virgílio de Carvalho Neto, etc.

Norte: Baltazar Cardoso, David Tavares Duarte, Edson Alves da Silva, Gedeão Grangeiro, Gilberto Marques, João Feitosa, Joel Holder, Nelson Luchtemberg, Océlio Nauar, Samuel Câmara, etc.

Se deixei de citar nomes de eminentes pastores que fazem parte da Assembleia de Deus foi por puro esquecimento, haja vista ter mencionado todos eles de memória, praticamente. Mas o que desejo dizer é que a Igreja Evangélica Assembleia de Deus é muito maior que pastores (ou grupos de pastores) que se desviaram da verdade por amor ao dinheiro (2 Pe 2.1-3; 2 Co 2.17) e outros interesses. Ela é muito maior que disputas políticas e desavenças pessoais.

Diante do exposto, não considero justo denegrir denominações históricas, reconhecidamente compromissadas com o Evangelho, por causa de acontecimentos isolados recentes. Na verdade, se essa criticidade generalizante fosse justa perante Deus, nenhuma denominação histórica escaparia. Todas elas, sem exceção, em algum momento, tiveram em suas fileiras pessoas mal-intencionadas que promoveram escândalos. Penso que a crítica relevante e proveitosa é a que é feita segundo a reta justiça, levando-se em consideração todas as exceções possíveis.

De um assembleiano que ama a Assembleia de Deus, mas adora o Deus da Assembleia,

Ciro Sanches Zibordi

domingo, 26 de setembro de 2010

Deus usou uma jumenta ou apenas abriu a sua boca?


Muitos irmãos me perguntam se Deus usou mesmo uma jumenta. A dúvida existe principalmente porque há hermeneutas (hermeneutas?) que se apegam a questiúnculas, para afirmar que Deus não usou a jumenta. Ele teria apenas aberto a sua boca (cf. Nm 22.28), para que ela falasse por conta própria o que estava sentindo...

Ora, é claro que Deus usou uma jumenta para repreender Balaão, assim como também usou um grande peixe para engolir a Jonas e um galo para despertar a consciência de Pedro. É evidente que não houve uma mensagem profética do tipo “Assim diz o Senhor” — e é a isso que se apegam os que dizem que Deus não usou a jumenta. Mas sabemos que jumentas nunca falaram; não possuem mecanismos para falar. Elas não raciocinam como os seres humanos, pois não foram dotadas por Deus da mesma capacidade humana para pensar e expressar o seu pensamento.

Como teria uma jumenta raciocinado e repreendido o profeta, que a espancava? Não há dúvidas de que Deus mesmo abriu a boca da jumenta, usando-a para despertar Balaão. Somente depois de ele ter reconhecido o seu erro, ao ouvir as palavras do animal, que o Senhor abriu os seus olhos para ver o anjo à sua frente. Disse-lhe a jumenta, ao seu espancada: “Que te fiz eu, que me espancaste estas três vezes? [...] Porventura, não sou a tua jumenta, em que cavalgaste desde o tempo que eu fui tua até hoje? Costumei eu alguma vez fazer assim contigo?” Balaão respondeu: “Não”. E escritor sagrado concluiu: “Então, o Senhor abriu os olhos a Balaão...” (Nm 22.28-31).

O profeta só viu o anjo depois de ter ouvido a repreensão da jumenta. É, portanto, um equívoco pensar que o animal, por conta própria, teria raciocinado, articulado bem as sílabas e impedido a loucura do profeta... Deus, de fato, abriu a boca da jumenta e lhe deu palavras inteligíveis, como se fosse uma pessoa falando, a fim de repreender Balaão: “Mas teve a repreensão da sua transgressão; o mudo jumento, falando com voz humana, impediu a loucura do profeta” (2 Pe 2.16). Isso foi um milagre, uma ação divina sobrenatural!

CSZ

domingo, 18 de julho de 2010

Fumar é pecado? Por quê?

Há alguns dias, senti-me estimulado a responder à pergunta acima depois de ter conversado com o meu amigo Eli Felete, pastor-presidente da Assembleia de Deus Ministério Rocha Eterna, de Lisboa, Portugal. Muitos irmãos em Cristo, inclusive pastores, ficam inculcados com o fato de eminentes cristãos do passado terem supostamente apreciado o fumo e com a não ocorrência de mandamentos que tratem especificamente do ato de fumar.

Em primeiro lugar, não existe mesmo um mandamento bíblico específico a respeito do uso do tabaco, como “Não fumarás”. Também não está contido em Apocalipse — e em nenhuma outra parte das Escrituras! — o versículo que muitos citam para combater o vício: “Os viciados não herdarão o reino de Deus”. Mas precisamos ter em mente que a Bíblia é um livro de mandamentos gerais e específicos, bem como de princípios.

Há uma tendência mundial de se opor ao tabagismo e restringi-lo em lugares públicos. Os ministérios da saúde de diversos países não têm medido esforços para alertar a população acerca dos riscos de ingerir as substâncias tóxicas contidas na chamada “chupeta do demônio”. Segue-se que o ato de fumar, além de causar mal à saúde, tem uma péssima fama e não passa no teste de Filipenses 4.8. Além disso, e consequentemente, fumar é uma ação contrária ao mandamento de 1 Tessalonicenses 5.22: “Abstende-vos de toda aparência do mal”. Em outras palavras, o cristão deve evitar o pecado e tudo o que parece pecado.

Conquanto não haja proibição expressa ao ato de fumar, nem todas as coisas lícitas (não proibidas) convêm ao salvo em Cristo (1 Co 6.12). Considerando que: (1) o consumo de tabaco gera dependência e, como se sabe, é prejudicial à saúde; (2) o cristão é templo do Espírito Santo (1 Co 6.19,20); e (3) a Bíblia diz que aquele que destrói esse templo, Deus o destruirá (1 Co 3.16,17), podemos concluir que o ato de fumar não é conveniente ao servo do Senhor.

Apesar de não haver na Bíblia mandamentos específicos a respeito do fumo, existem princípios e mandamentos gerais que condenam o ato de fumar. Mesmo não havendo no texto sagrado o mandamento “Os viciados não herdarão o reino de Deus”, o servo do Senhor que se preza sabe que qualquer tipo de vício não se coaduna com uma vida de comunhão com Deus (Jó 11.11; Dn 6.4).

Na relação das obras da carne mencionam-se a prostituição, a glutonaria, as bebedices, várias outras obras e “coisas semelhantes a estas” (Gl 5.19-21). É evidente que o ato de fumar é uma dessas “coisas” similares àquelas que destroem o templo do Espírito Santo. Qualquer ação consciente por parte do cristão que venha a destruir o seu corpo, que é templo do Espírito, trata-se de uma das obras da carne. E, segundo a Bíblia, “não herdarão o reino de Deus os que tais cousas praticam” (v.21, ARA).

Portanto, fumar hoje, principalmente, é um ato antissocial, feio, prejudicial à saúde e, acima de tudo, pecaminoso, à luz dos mandamentos e princípios gerais das Escrituras. Mas, se algum apreciador de cachimbo, charuto ou cigarro que se diz cristão me achar legalista, que reclame com o Autor da Palavra de Deus! É Ele quem nos ordena a sermos santos em toda a nossa maneira de viver (1 Pe 1.15), não é mesmo?

Em Cristo,

CSZ

quinta-feira, 10 de junho de 2010

É possível orar enquanto dormimos?


Você já percebeu que, ao sair da cama, pela manhã, ao colocar o pé no chão — a não ser que você tenha tido um belo sonho ou um pesadelo horrível —, o que vem à sua mente é exatamente a última coisa que você conversou, pensou, ouviu ou assistiu?

Se, antes de dormirmos, por exemplo, assistimos a um jogo de futebol e ficamos acompanhando os comentários pós-jogo, de manhã será isso a nossa primeira lembrança. Se assistirmos a um programa de entrevistas, logo cedo nos lembraremos de quase tudo, e assim por diante. Não é por acaso que, em Cantares de Salomão 5.2, está escrito: “Eu dormia, mas o meu coração velava”.


Quando dormimos pensando em Deus, em suas obras; quando oramos e meditamos em sua Palavra antes de encostarmos a cabeça no travesseiro, continuamos em sintonia com Ele durante toda a madrugada. E, pela manhã, o nosso pensamento continuará firme no Senhor. Aliás, há, em Isaías 26.3, uma promessa para quem mantém-se em sintonia mental com o seu Criador: “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti”.

Ao dormirmos, damos descanso ao nosso corpo. E todo trabalhador precisa de um sono reparador. Mas não pense que o repouso noturno impõe ao “homem interior” descanso. Não! A nossa alma e o nosso espírito não dormem. E, por isso mesmo, precisamos desenvolver a nossa comunhão com o Senhor Jesus de modo contínuo, a fim de orarmos até dormindo!

Parece estranha a afirmação de que oramos enquanto dormimos, mas é preciso entender que o nosso culto individual nunca deve acabar, nem quando dormimos! As reuniões nas igrejas, os cultos coletivos, terminam. O culto individual, ao contrário, deve continuar. Veja o que disse o profeta Isaías: “Com minha alma te desejei de noite e, com o meu espírito, que está dentro de mim, madrugarei a buscar-te” (26.9). Além de distinguir espírito e alma, esse profeta mostra que o servo de Deus que se preza o cultua até durante o seu repouso noturno. Afinal, ao dormirmos, o espírito e a alma continuam em plena atividade.

Se a nossa alma estiver cheia de futebol, de filmes violentos ou eróticos, de preocupações, não cultuaremos a Deus em espírito enquanto dormimos. No momento em que pusermos o nosso pé no chão, no dia seguinte, o que virá à tona? Futebol, violência, desejos ilícitos, preocupações... No entanto, se orarmos antes de dormir; se lermos com meditação a Bíblia Sagrada, se fizermos um culto familiar; se estudarmos a lição da Escola Bíblica Dominical; se lermos um bom livro evangélico; se assistirmos a um programa instrutivo; se conversarmos com alguém sobre as grandezas de Deus, etc., é isso que virá à tona pela manhã.

Portanto, é possível orar enquanto dormimos? Claro que sim! Se não fosse, não fariam sentido os textos de 1 Tessalonicenses 5.17 e Salmos 34.1: “Orai sem cessar” e “Louvarei ao SENHOR em todo o tempo”.

Em Cristo,

CSZ

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Qual é o seu tipo de pregador preferido?

Conheça os estilos de pregação da atualidade e as características de seus públicos-alvos

Há vinte anos, fui convidado pela primeira vez para participar de uma agência nacional de pregadores, em São Paulo. Um companheiro de púlpito me ofereceu um cartão e disse: “Seria um prazer tê-lo em nossa agência”. Então, lhe perguntei: “Como funciona essa agência?” E a sua resposta me deixou estarrecido: “As igrejas ligam para nós, especificam que tipo de pregador desejam ter em seu evento, pedem o estilo de mensagem, e nós cuidamos de tudo. Negociamos um bom cachê”.

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CSZ

terça-feira, 1 de junho de 2010

Fim do mundo em 2012?

Quase todos os dias visito uma livraria. E já vi inúmeros livros novos pelos quais se afirma que o mundo poderá acabar em 2012. Aproveitando o lançamento filme 2012, alguns prognosticadores de plantão têm determinado o dia exato em que o mundo acabará: 21 de dezembro de 2012!

Estou triste... O mundo acabará bem no dia em que eu e a minha amada completaremos 21 anos de casamento?! Pelo menos o centenário das Assembleias de Deus no Brasil será em 2011... Mas, o que mais acontecerá até 2012? Ih, o centenário do Corinthians, ainda neste ano! Bem que o mundo poderia acabar antes...

Brincadeiras à parte, nós, que conhecemos a Palavra de Deus, não estamos esperando o fim do mundo, e sim o Arrebatamento da Igreja, o qual poderá acontecer a qualquer momento!

CSZ

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

É pecado fazer download de livros?


Muitos têm me perguntado se fazer download de livros na Internet é pecado.

Pastor Ciro responde:

Na Internet há muitos livros que já estão em domínio público. Fazer download desses livros não é pecado. Para quem não sabe, um livro só é considerado de domínio público depois de um pouco mais de setenta anos da morte do seu autor! Eu disse “um pouco mais de setenta anos” porque, em regra geral, os direitos do autor duram pelas mencionadas sete décadas a partir de 1° de janeiro do ano subsequente ao falecimento do autor.

Mas há exceções. Os livros podem ser de domínio público em pelo menos mais três casos: quando os autores falecidos são desconhecidos; quando não deixam sucessores; e, também, quando, ainda em vida, disponibilizam seus livros sem nenhum custo. Isso costuma ser feito por autores milionários, como Paulo Coelho, ou por escritores que encontram dificuldade em publicar seus livros por editoras.

O download de livros se torna pecado e crime quando se ignora os direitos do autor. Ou seja, apesar de muitas pessoas pensarem que todo o conteúdo da Internet é de livre acesso, é preciso observar que muita coisa circula na grande rede sem autorização expressa dos autores.

O que são direitos autorais?

São os direitos do autor, do criador, do tradutor, do pesquisador, do artista, de controlar o uso que se faz de suas obras. De acordo com a Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, o autor tem os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou. E os artigos 28 e 29 da Lei do Direito Autoral asseveram que: cabe ao autor o direito exclusivo de utilizar, fruir e dispor da obra literária, artística ou científica; e que depende de autorização prévia e expressa dele a utilização da obra, por quaisquer modalidades, dentre elas a reprodução parcial ou integral.

Por que fazer dowload de livros não-autorizados é crime?

A Internet facilita muito a vida dos pecadores e criminosos! Quem deseja fazer pirataria é simples! Há uma infinidade de sites disponibilizando livros não-autorizados para download. E há muitos irmãos participando desse tipo de pecado com a maior naturalidade. Alguns até me mandam e-mails para me informar que estão lendo livros que “baixaram” da grande rede. E o argumento deles é sempre o mesmo: “Não estou usando para lucro”. Alguns citam até o Código Penal para se justificarem e argumentam que o artigo 184 desse código diz que o crime não está em fazer o dowload, e sim em obter lucro. Outro falacioso argumento é o de que os livros são muito caros...

Consideremos o artigo 184 do Código Penal:

Art. 184 - Violar direitos de autor e os que lhe são conexos:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.

§ 1º - Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro direto ou indireto, por qualquer meio ou processo, de obra intelectual, interpretação, execução ou fonograma, sem autorização expressa do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os represente:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

§ 2º - Na mesma pena do § 1º incorre quem, com intuito de lucro direto ou indireto, distribui, vende, expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta, tem em depósito, original ou cópia de obra intelectual ou fonograma reproduzido com violação do direito de autor, do direito de artista intérprete ou executante ou do direito do produtor de fonograma, ou, ainda, aluga original ou cópia de obra intelectual ou fonograma, sem a expressa autorização dos titulares dos direitos ou de quem os represente.

Observe que o caput — o enunciado principal do artigo — é claro quanto ao fato de que violar direitos de autor e os que lhe são conexos é um crime cuja pena é a detenção de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa. O que vem abaixo não anula o que está no caput. Antes, acrescenta condenação mais severa para quem, além de violar os direitos do autor, fizer isso para obter lucro. Em outras palavras, se a pessoa que viola os direitos (ao fazer o download, que em si já é ilegal), reproduzir total ou parcialmente o material “baixado”, com intuito de lucro direto ou indireto, a pena aumenta para reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

Aliás, quanto à violação dos direitos do autor com a intenção de lucro, desde 1º de julho de 2003 está em vigor a Lei 10.693, que alterou os artigos 184 e 186 do Código Penal. Ela acrescentou parágrafos ao artigo 525 do Código de Processo Penal, elevando a pena mínima para os crimes de violação de direito de autor com intuito de lucro, ainda que indireto, para 2 (dois) anos de reclusão. Nesse caso, o crime de violação de direito de autor, com finalidade de comércio passou a ser tratado pela legislação penal com maior rigor. Mas isso não significa que a violação de direito autoral, sem o objetivo de lucro, não seja crime.

Por conseguinte, a tese de que o download só é crime quando se obtém lucro é uma falácia. Mas há ainda outros aspectos a considerar, relativos à lei, ao bom senso e, sobretudo, para nós que somos cristãos, aos mandamentos e princípios da Palavra de Deus.

Por que o cristão que se preza não “baixa” livros não-autorizados?

Primeiro: fazer dowload de livro não-autorizado (isto é, que ainda não seja de domínio público) prejudica a editora. Ela pagou pelos direitos autorais e de edição, bem como arcou com todos os custos de produção. Para quem não sabe, a edição de uma obra demanda muito trabalho.

Segundo Plínio Cabral, em sua esclarecedora obra Revolução Tecnológica e Direito Autoral, (Sagra Luzzatto, pp.100-101), a edição de um livro “vai do plantio da árvore até a industrialização da celulose para transformá-la em papel. Elaboração do texto, editoração, composição, revisão, impressão, armazenagem dos estoques, distribuição, transporte, exposição e venda nas livrarias — tudo isto requer um trabalho fantástico que exige grandes investimentos, cujo retorno possibilita a manutenção ativa e ininterrupta do ciclo produtivo”.
É justo que alguém simplesmente “baixe” um livro com a inconvincente desculpa de que ele é muito caro?

Segundo: fazer download de livro não-autorizado prejudica o autor da obra, que tem seus direitos intelectuais impunemente violados e seu trabalho usurpado. Eu, por exemplo, insiro uma grande quantidade de textos gratuitamente neste blog, porque, em contrapartida, tenho recebido pagamentos relativos a direitos autorais. Nesse caso, quando cristãos desavisados “baixam” livros de minha autoria, estão, de certa forma, me roubando! Mas alguns, “cheios de razão”, ainda me escrevem indignados, dizendo que eu deveria disponibilizar livros gratuitamente! Ora, não é digno o obreiro do seu salário?

Terceiro: fazer dowload de livro não-autorizado é uma apropriação indébita. Não há autorização expressa para se fazer isso, nem do autor nem da editora. Em outras palavras, é um tipo de furto. É como se alguém entrasse num supermercado e dissesse consigo: “Vou levar alguns chocolates para o meu uso; não vou comercializá-los; é apenas para consumo próprio”.

Quarto: fazer download de livro não-autorizado lesa o erário, isto é, os cofres públicos. Quando alguém “baixa” um livro, os tributos relativos ao produto não são recolhidos. E o Senhor Jesus afirmou que devemos dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus (Mt 22.21).

Conclusão

“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fp 4.8, ARA).

Portanto, diga “não” à pirataria! Isso é crime, pecado contra Deus e contra o seu irmão, no caso de download de livro evangélico! Não “baixe” livros pela Internet sem a autorização expressa da editora e do autor. Fazer isso, mesmo com a desculpa de que os livros são muito caros, além de crime e desrespeito para com o autor (que no caso do salvo é um irmão em Cristo), é pecado contra Deus (1 Co 6.12; 11.23,31).

Em Cristo,

CSZ

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Obreiros que não sejam ministros (pastores ou presbíteros) podem ministrar o batismo em águas?


Alguns irmãos estão me perguntando se um membro da igreja ou um obreiro que não tenha um título ministerial (como pastor ou presbítero) pode batizar alguém em águas. Tais irmãos, como exemplo, fizeram menção de um recente programa evangélico de TV em que um eminente cristão assembleiano, que não é pastor, supostamente realiza um batismo em águas, no Rio de Janeiro.

Pastor Ciro responde:

Não vi o tal programa para poder opinar sobre o episódio. Mas, mesmo sem tê-lo assistido, não considero o batismo feito por um membro — se é que ele ocorreu mesmo — uma questão tão relevante assim, a ponto de gerar grandes discussões sobre o assunto. Eu a classificaria como uma questiúncula.

Reconheço que não é usual e comum um membro batizar outro membro. Também não é usual e comum um diácono batizar novos convertidos, ainda que Filipe, um dos sete primeiros diáconos da igreja primitiva (At 6.3-5), certamente designado pelos apóstolos, tenha feito isso: “Então mandou parar o carro, ambos desceram à água, e Filipe batizou o eunuco” (At 8.38, ARA). Aliás, não é usual e comum nem o pastor de uma congregação batizar! Na Assembleia de Deus em São Paulo (Ministério do Belém), por exemplo, quem batiza geralmente são alguns (dentre mais de cinquenta) pastores setoriais, designados pelo pastor-presidente.

Repito: não é usual e comum membros batizarem membros, mas existem exceções. E a própria Bíblia mostra o caso de Filipe, um diácono, batizando. O usual e comum, como se depreende de Atos 2, era que somente os apóstolos batizassem. E, ao que tudo indica, eles autorizavam outros obreiros, de escalão menor (diáconos, obreiros sem título; se bem obreiro não deixa de ser um título!), por assim dizer, a batizar em águas.

Outro exemplo de exceção nas Assembleias de Deus brasileiras: de maneira geral — sobretudo nas igrejas cujos pastores são ligados à CGADB —, não existem pastoras. Entretanto, por exceção à regra, mulheres missionárias acabam fazendo coisas que são atribuições de ministros (pastores, presbíteros, etc.).

Muitos se apegam à Grande Comissão — “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as cousas que vos tenho ordenado” (Mt 28.19,20, ARA) — para afirmar que somente o pastor pode batizar, uma vez que a ordenança do batismo foi dada aos apóstolos. Mas é importante atentarmos para o seguinte: os apóstolos constituíam a igreja nascente e a representavam como um todo, naquele momento. Caso contrário, somente os pastores poderiam pregar o evangelho e ensinar a Palavra de Deus!

Se todos os cristãos podem ir por todo o mundo e pregarem o evangelho a toda a criatura (Mc 16.15-18); se todos eles podem ir e ensinar todos os povos (Mt 28.19); por que todos eles não podem batizar os neoconversos em nome do Pai, em nome do Filho e em nome do Espírito Santo?

Diante do exposto, mesmo não tendo assistido ainda ao vídeo em que o eminente membro das Assembleias de Deus — que é um obreiro, mas sem título pomposo — batiza, supostamente, um neoconverso, não considero isso uma heresia ou um erro, principalmente porque ele não deve ter feito isso a bel-prazer, e sim sob a orientação de sua liderança eclesiástica.

Em Cristo,

CSZ

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Citações positivas de Dake feitas por expoentes assembleianos


Um internauta pergunta:

Pastor Ciro, por que a CPAD lançou uma obra como a Bíblia de Estudo Dake, desconhecida de todos os pastores assembleianos de renome e nunca usada por eles? Não seria melhor lançar uma obra conhecida pelos principais expoentes assembleianos?

Pastor Ciro responde:

Caro leitor, o irmão poderia ter se identificado, pois a sua pergunta não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. Ao contrário do que o irmão afirmou, a CPAD conhece muito bem a aludida Bíblia de estudo, e há um bom tempo. E grandes expoentes também a conhecem e até já a recomendaram.

Eu trabalhei como editor-assistente da obra Teologia Sistemática Pentecostal (lançada em 2008 pela CPAD) e como autor de uma de suas unidades (Escatologia), e um dos seus autores, um grande expoente das Assembleias de Deus, me pediu para inserir Dake’s Annotated Reference Bible em sua bibliografia (cf. p.571). Mas não foi a primeira vez em que ocorreu uma citação positiva de Dake, como referência bibliográfica, em uma obra da CPAD.

No livro O Batismo Bíblico e a Trindade, do saudoso N. Lawrence Olson (foto), por exemplo, publicado pela Casa em 1985 — há 25 anos! — a tal Bíblia de estudo é também mencionada na bibliografia (cf. p.101). Só não há mais citações de Dake em obras da CPAD porque antigamente os escritores assembleianos não tinham o costume de incluir bibliografia em suas obras. Outra obra conhecidíssima de Olson, por exemplo, O Plano Divino Através dos Séculos, não apresenta referências bibliográficas.

Mas, além das citações bibliográficas, renomados pregadores e ensinadores assembleianos usavam e usam as notas da Bíblia de Estudo Dake. Além do já mencionado pregador e pioneiro assembleiano, de saudosa memória, podemos citar Jimmy Swaggart (antes de sua queda moral, fez uma grande obra como televangelista), Bernhard Johnson (in memoriam), Elienai Cabral e Antonio Gilberto. Este expoente, inclusive, a conhece desde 1969 — há 41 anos! — e passou a examiná-la a partir de uma indicação do piedoso N. Lawrence Olson.

Em Cristo,

CSZ