A frase bíblica “Não toqueis nos meus ungidos” (Sl 105.15) tem sido empregada para os mais variados fins. Maus obreiros, falsos profetas, adoradores-ídolos e até políticos “evangélicos” se valem dela para ameaçar seus críticos; crentes mal-orientados usam-na para defender o seu “ungido”, mesmo que ele defenda abertamente o aborto; e outros ainda a empregam para reforçar a ideia de que não cabe aos servos de Deus julgar ou criticar heresias e práticas antibíblicas.
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Ciro Sanches Zibordi
Não sou assembleiólatra. Nunca ignorei os problemas ligados à denominação Assembleia de Deus. Recentemente, por exemplo, posicionei-me contra o envolvimento do líder de uma das importantes convenções assembleianas com o moonismo. Outra prova de que não me apego de modo idolátrico à denominação à qual pertenço é o fato de reconhecer o lado bom das outras denominações, como fiz, há pouco tempo, ao elogiar a Igreja Presbiteriana do Brasil por sua posição contrária às seitas neopentecostais.
Por outro lado, sou cristão, pentecostal e assembleiano. E, nesse caso, não posso concordar com movimentos antipentecostais e antiassembleianos, que, a cada dia, ganham novos adeptos. Por que não concordo com o antiassembleianismo, especificamente? Por ser assembleiano? Prioritariamente, não. Em João 7.24, o Senhor Jesus asseverou: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça”. E muitos oponentes da aludida denominação histórica estão sendo injustos em sua criticidade extremada.
Julgar segundo a reta justiça não é: generalizar, tomando a parte pelo todo; julgar sem conhecer a estrutura de uma denominação; confundir fatos com boatos, principalmente quando se trata de denúncias ligadas a candidatos A e B; basear-se em simbologia forçada para acusar denominações de envolvimento com sociedades secretas; ignorar a história; não reconhecer o lado bom de uma instituição, principalmente quando este é muito superior a fatos negativos isolados.
Vejo na Internet blogs e vídeos no YouTube, bem como recebo e-mails contendo acusações à Assembleia de Deus, de modo genérico. Mas a culpada pelos despropósitos mencionados pelos acusadores é a denominação histórica em apreço ou os pretensos pastores que não fazem jus ao título ministerial que receberam, visto que apresentam condutas e posturas antiassembleianas e até anticristãs?
Ora, Assembleia de Deus é um título, uma denominação, que sofre na mão de muitos enganadores, assim como o título Igreja Batista também tem sido usado de modo inconveniente por muitos. Um dia desses, por exemplo, eu deparei com uma igreja chamada Igreja Batista Ministério Deus É Pentecostal. Seria justo se eu verberasse contra a Igreja Batista, de modo geral, por causa do que vi? Claro que não! Além de generalizar, eu estaria mostrando que desconheço o fato de essa histórica denominação ter se dividido e subdividido, ao longo dos anos.
É claro que esse argumento não se aplica a todas as denominações. A Igreja Universal do Reino de Deus, por exemplo, é única em qualquer lugar e segue a mesma cabeça, sempre. Não há várias Universais dentro da Universal. Entretanto, no caso da Assembleia de Deus e da Igreja Batista, duas denominações que tomei como exemplo no parágrafo anterior, existem várias Assembleias e Batistas espalhadas pelo mundo que não fazem jus ao perfil de suas denominações históricas.
Assim como a Igreja Batista, a Igreja Presbiteriana, a Igreja Metodista, a Igreja Quadrangular, etc. devem ser respeitadas como denominações históricas, a Assembleia de Deus também merece todo o respeito. É preciso priorizar, nas críticas, a parte envolvida, e não o todo.
Quem conhece a complexa estrutura da Assembleia de Deus sabe que, hodiernamente, a CGADB nada tem que ver com a convenção também nacional da CONAMAD, por exemplo. No caso da CGADB, especificamente, a maioria dos Estados brasileiros possui, no mínimo, uma convenção de ministros ligada à Convenção Geral. E cada uma das convenções estaduais são, em certo sentido, independentes, assim como os ministérios associados a elas...
Por graça de Deus, eu viajo bastante para ministrar a Palavra do Senhor e tenho conhecido a Assembleia de Deus de modo abrangente, em todo o Brasil e fora dele. E posso afirmar, de modo peremptório, que essa denominação possui em suas fileiras valorosos homens de Deus em todas as convenções (CGADB, CONAMAD, etc.) e ministérios.
Sou até capaz de citar nomes, de memória, de alguns referenciais da Assembleia de Deus, sem levar em conta convenções nacionais, estaduais, ministérios, campos, setores, por região, em ordem alfabética, de Sul a Norte:
Sul: Arcelino Victor de Melo, Argemiro da Silva, Cesino Bernardino, Daniel Acioli, Edimundo de Souza, Eliezer de Moraes, Ezequiel Montanha, Geraldino da Silva, João Ceno, José Alves da Silva, José Anunciação dos Santos, José Pimentel de Carvalho, José Polini, Juvenil dos Santos Pereira, Ubiratan Batista Job, Wagner Tadeu dos Santos Gaby, etc.
Sudeste: Alcides Favaro, Alexandre Sá, Álvaro Além Sanches, Anselmo Silvestre, Antonio Gilberto, Antonio Santana, Carlos Roberto da Silva, Celso Brasil, Doronel Camilo, Esequias Soares, Francisco José da Silva, Jayjairo Castelo, Joedson Costa Dias, José Carlos Padilha, José dos Santos, José Prado Veiga, José Wellington Bezerra da Costa, José Wellington Costa Júnior, Josué de Campos, Lauri Villas Boas, Marinaldo Rodrigues, Moisés Rodrigues, Nataniron Cunha, Oscar Domingos de Moura, Salatiel de Carvalho, Samuel Rodrigues, Severino Pedro da Silva, Tarcísio de Abreu, Temóteo Ramos de Oliveira, etc.
Centro-Oeste: Adjair Macedo, Antonio Dionízio da Silva, Elienai Cabral, JosualdoMendes Dreger, Odilon Xavier, Orcival Xavier, Sebastião Rodrigues de Souza, etc.
Nordeste: Aílton José Alves, Elinaldo Renovato de Lima, Erivelto Gonçalves, Joeser Santana, José Antonio dos Santos, José Apolônio, José Gonçalves, José Guimarães Coutinho, José Teixeira Rêgo Neto, Josué Brandão, Martim Alves da Silva, Nestor Mesquita, Ozires Pessoa, Pedro Aldi Damasceno, Raimundo João de Santana, Raul Cavalcante, Roberto dos Santos, Virgílio de Carvalho Neto, etc.
Norte: Baltazar Cardoso, David Tavares Duarte, Edson Alves da Silva, Gedeão Grangeiro, Gilberto Marques, João Feitosa, Joel Holder, Nelson Luchtemberg, Océlio Nauar, Samuel Câmara, etc.
Se deixei de citar nomes de eminentes pastores que fazem parte da Assembleia de Deus foi por puro esquecimento, haja vista ter mencionado todos eles de memória, praticamente. Mas o que desejo dizer é que a Igreja Evangélica Assembleia de Deus é muito maior que pastores (ou grupos de pastores) que se desviaram da verdade por amor ao dinheiro (2 Pe 2.1-3; 2 Co 2.17) e outros interesses. Ela é muito maior que disputas políticas e desavenças pessoais.
Diante do exposto, não considero justo denegrir denominações históricas, reconhecidamente compromissadas com o Evangelho, por causa de acontecimentos isolados recentes. Na verdade, se essa criticidade generalizante fosse justa perante Deus, nenhuma denominação histórica escaparia. Todas elas, sem exceção, em algum momento, tiveram em suas fileiras pessoas mal-intencionadas que promoveram escândalos. Penso que a crítica relevante e proveitosa é a que é feita segundo a reta justiça, levando-se em consideração todas as exceções possíveis.
De um assembleiano que ama a Assembleia de Deus, mas adora o Deus da Assembleia,
Ciro Sanches Zibordi
Muitos irmãos me perguntam se Deus usou mesmo uma jumenta. A dúvida existe principalmente porque há hermeneutas (hermeneutas?) que se apegam a questiúnculas, para afirmar que Deus não usou a jumenta. Ele teria apenas aberto a sua boca (cf. Nm 22.28), para que ela falasse por conta própria o que estava sentindo...
Ora, é claro que Deus usou uma jumenta para repreender Balaão, assim como também usou um grande peixe para engolir a Jonas e um galo para despertar a consciência de Pedro. É evidente que não houve uma mensagem profética do tipo “Assim diz o Senhor” — e é a isso que se apegam os que dizem que Deus não usou a jumenta. Mas sabemos que jumentas nunca falaram; não possuem mecanismos para falar. Elas não raciocinam como os seres humanos, pois não foram dotadas por Deus da mesma capacidade humana para pensar e expressar o seu pensamento.
Como teria uma jumenta raciocinado e repreendido o profeta, que a espancava? Não há dúvidas de que Deus mesmo abriu a boca da jumenta, usando-a para despertar Balaão. Somente depois de ele ter reconhecido o seu erro, ao ouvir as palavras do animal, que o Senhor abriu os seus olhos para ver o anjo à sua frente. Disse-lhe a jumenta, ao seu espancada: “Que te fiz eu, que me espancaste estas três vezes? [...] Porventura, não sou a tua jumenta, em que cavalgaste desde o tempo que eu fui tua até hoje? Costumei eu alguma vez fazer assim contigo?” Balaão respondeu: “Não”. E escritor sagrado concluiu: “Então, o Senhor abriu os olhos a Balaão...” (Nm 22.28-31).
O profeta só viu o anjo depois de ter ouvido a repreensão da jumenta. É, portanto, um equívoco pensar que o animal, por conta própria, teria raciocinado, articulado bem as sílabas e impedido a loucura do profeta... Deus, de fato, abriu a boca da jumenta e lhe deu palavras inteligíveis, como se fosse uma pessoa falando, a fim de repreender Balaão: “Mas teve a repreensão da sua transgressão; o mudo jumento, falando com voz humana, impediu a loucura do profeta” (2 Pe 2.16). Isso foi um milagre, uma ação divina sobrenatural!
CSZ
Há alguns dias, senti-me estimulado a responder à pergunta acima depois de ter conversado com o meu amigo Eli Felete, pastor-presidente da Assembleia de Deus Ministério Rocha Eterna, de Lisboa, Portugal. Muitos irmãos em Cristo, inclusive pastores, ficam inculcados com o fato de eminentes cristãos do passado terem supostamente apreciado o fumo e com a não ocorrência de mandamentos que tratem especificamente do ato de fumar.
Em primeiro lugar, não existe mesmo um mandamento bíblico específico a respeito do uso do tabaco, como “Não fumarás”. Também não está contido em Apocalipse — e em nenhuma outra parte das Escrituras! — o versículo que muitos citam para combater o vício: “Os viciados não herdarão o reino de Deus”. Mas precisamos ter em mente que a Bíblia é um livro de mandamentos gerais e específicos, bem como de princípios.
Há uma tendência mundial de se opor ao tabagismo e restringi-lo em lugares públicos. Os ministérios da saúde de diversos países não têm medido esforços para alertar a população acerca dos riscos de ingerir as substâncias tóxicas contidas na chamada “chupeta do demônio”. Segue-se que o ato de fumar, além de causar mal à saúde, tem uma péssima fama e não passa no teste de Filipenses 4.8. Além disso, e consequentemente, fumar é uma ação contrária ao mandamento de 1 Tessalonicenses 5.22: “Abstende-vos de toda aparência do mal”. Em outras palavras, o cristão deve evitar o pecado e tudo o que parece pecado.
Conquanto não haja proibição expressa ao ato de fumar, nem todas as coisas lícitas (não proibidas) convêm ao salvo em Cristo (1 Co 6.12). Considerando que: (1) o consumo de tabaco gera dependência e, como se sabe, é prejudicial à saúde; (2) o cristão é templo do Espírito Santo (1 Co 6.19,20); e (3) a Bíblia diz que aquele que destrói esse templo, Deus o destruirá (1 Co 3.16,17), podemos concluir que o ato de fumar não é conveniente ao servo do Senhor.
Apesar de não haver na Bíblia mandamentos específicos a respeito do fumo, existem princípios e mandamentos gerais que condenam o ato de fumar. Mesmo não havendo no texto sagrado o mandamento “Os viciados não herdarão o reino de Deus”, o servo do Senhor que se preza sabe que qualquer tipo de vício não se coaduna com uma vida de comunhão com Deus (Jó 11.11; Dn 6.4).
Na relação das obras da carne mencionam-se a prostituição, a glutonaria, as bebedices, várias outras obras e “coisas semelhantes a estas” (Gl 5.19-21). É evidente que o ato de fumar é uma dessas “coisas” similares àquelas que destroem o templo do Espírito Santo. Qualquer ação consciente por parte do cristão que venha a destruir o seu corpo, que é templo do Espírito, trata-se de uma das obras da carne. E, segundo a Bíblia, “não herdarão o reino de Deus os que tais cousas praticam” (v.21, ARA).
Portanto, fumar hoje, principalmente, é um ato antissocial, feio, prejudicial à saúde e, acima de tudo, pecaminoso, à luz dos mandamentos e princípios gerais das Escrituras. Mas, se algum apreciador de cachimbo, charuto ou cigarro que se diz cristão me achar legalista, que reclame com o Autor da Palavra de Deus! É Ele quem nos ordena a sermos santos em toda a nossa maneira de viver (1 Pe 1.15), não é mesmo?
Em Cristo,
CSZ
Você já percebeu que, ao sair da cama, pela manhã, ao colocar o pé no chão — a não ser que você tenha tido um belo sonho ou um pesadelo horrível —, o que vem à sua mente é exatamente a última coisa que você conversou, pensou, ouviu ou assistiu?
Se, antes de dormirmos, por exemplo, assistimos a um jogo de futebol e ficamos acompanhando os comentários pós-jogo, de manhã será isso a nossa primeira lembrança. Se assistirmos a um programa de entrevistas, logo cedo nos lembraremos de quase tudo, e assim por diante. Não é por acaso que, em Cantares de Salomão 5.2, está escrito: “Eu dormia, mas o meu coração velava”.
Quando dormimos pensando em Deus, em suas obras; quando oramos e meditamos em sua Palavra antes de encostarmos a cabeça no travesseiro, continuamos em sintonia com Ele durante toda a madrugada. E, pela manhã, o nosso pensamento continuará firme no Senhor. Aliás, há, em Isaías 26.3, uma promessa para quem mantém-se em sintonia mental com o seu Criador: “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti”.
Ao dormirmos, damos descanso ao nosso corpo. E todo trabalhador precisa de um sono reparador. Mas não pense que o repouso noturno impõe ao “homem interior” descanso. Não! A nossa alma e o nosso espírito não dormem. E, por isso mesmo, precisamos desenvolver a nossa comunhão com o Senhor Jesus de modo contínuo, a fim de orarmos até dormindo!
Parece estranha a afirmação de que oramos enquanto dormimos, mas é preciso entender que o nosso culto individual nunca deve acabar, nem quando dormimos! As reuniões nas igrejas, os cultos coletivos, terminam. O culto individual, ao contrário, deve continuar. Veja o que disse o profeta Isaías: “Com minha alma te desejei de noite e, com o meu espírito, que está dentro de mim, madrugarei a buscar-te” (26.9). Além de distinguir espírito e alma, esse profeta mostra que o servo de Deus que se preza o cultua até durante o seu repouso noturno. Afinal, ao dormirmos, o espírito e a alma continuam em plena atividade.
Se a nossa alma estiver cheia de futebol, de filmes violentos ou eróticos, de preocupações, não cultuaremos a Deus em espírito enquanto dormimos. No momento em que pusermos o nosso pé no chão, no dia seguinte, o que virá à tona? Futebol, violência, desejos ilícitos, preocupações... No entanto, se orarmos antes de dormir; se lermos com meditação a Bíblia Sagrada, se fizermos um culto familiar; se estudarmos a lição da Escola Bíblica Dominical; se lermos um bom livro evangélico; se assistirmos a um programa instrutivo; se conversarmos com alguém sobre as grandezas de Deus, etc., é isso que virá à tona pela manhã.
Portanto, é possível orar enquanto dormimos? Claro que sim! Se não fosse, não fariam sentido os textos de 1 Tessalonicenses 5.17 e Salmos 34.1: “Orai sem cessar” e “Louvarei ao SENHOR em todo o tempo”.
Em Cristo,
CSZ
Conheça os estilos de pregação da atualidade e as características de seus públicos-alvos
Há vinte anos, fui convidado pela primeira vez para participar de uma agência nacional de pregadores, em São Paulo. Um companheiro de púlpito me ofereceu um cartão e disse: “Seria um prazer tê-lo em nossa agência”. Então, lhe perguntei: “Como funciona essa agência?” E a sua resposta me deixou estarrecido: “As igrejas ligam para nós, especificam que tipo de pregador desejam ter em seu evento, pedem o estilo de mensagem, e nós cuidamos de tudo. Negociamos um bom cachê”.
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