domingo, 1 de abril de 2012

PERGUNTE O QUE VOCÊ QUISER. PASTOR CIRO RESPONDE

Olá, querido internauta!

Insira um comentário nesta postagem contendo a sua pergunta. E eu lhe darei uma resposta sucinta e objetiva. Se a questão for muito difícil, preparei um artigo para o Blog do Ciro. Participe!

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Resposta a uma mulher aflita que perdeu seu bebê


“Querido pastor Ciro,

Entendo sua dor, pois estou vivendo uma situação horrível, pela perda do meu filho. Espero que logo seu pai se recupere. Acompanho seu blog há muito tempo e estou vivendo um momento muito difícil na minha vida agora. Estava grávida de gêmeos, e um deles, com seis dias de nascido, Deus o levou...


Estou em depressão e revoltada com Deus... Para desabafar, e como gosto de escrever, estou escrevendo no meu blog. Por favor, visite-o para ver como tenho vivido e, por favor, não me julgue. Estou fraca, não perdi a fé em Deus, continuo amando-o, mas estou muito decepcionada... Ele sempre foi meu Amigo e Pai, e quando mais precisei não apareceu...


Eu preciso de uma ajuda sua pra esclarecer umas dúvidas. Todos ficam me dizendo que agora meu filho é um anjo, que está lá no céu com Deus, que cuida de nós... Confesso que nesse momento não acredito em nada disso e gostaria de saber da verdade de acordo com a Bíblia. Não quero viver der ilusões. Preciso de respostas verdadeiras para tentar segui-las.


Os bebes viram anjos e vivem lá com Deus? Onde estão só bebês? Onde está o meu bebê agora? Por favor me responda o mais rápido possível... Não aguento mais essas teorias cheias de ilusões... Visite meu blog para entender as minhas “loucuras”. Por favor, não se assuste... Estou sofrendo muito... Estou em grande depressão... Depois da sua resposta, pretendo fazer um post sobre esse assunto.


Um forte abraço e obrigada.”


Cássia Cohen


MINHA RESPOSTA:


Querida Cássia, a paz do Senhor.


Em primeiro lugar, minha família e eu lhe somos gratos pelas orações. Meu pai permanece internado e se alimenta através de uma sonda, mas estamos confiando no Senhor Jesus, que está no controle de todas as coisas. Agradeço-lhe também por ser uma leitora do Blog do Ciro.


Receba as minhas condolências pela partida do seu querido Oliver (o nome dele não aparece no comentário que a irmã me enviou, mas já acessei seu blog, a fim de conhecer melhor a sua história). Não pensei muito para começar esta minha resposta. Apenas
orei a Deus e lhe pedi sabedoria e graça para dar a você, na medida em que for escrevendo, não a resposta que gostaria de receber, e sim a que precisa receber.


Suas dúvidas, revoltas e angústias são legítimas e compreensíveis. Você afirmou que está fraca, mas não perdeu a fé em Deus e continua amando-o. Lembrei-me imediatamente de
1 Coríntios 13.13: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor”. Vejo, nas suas perguntas, que há fé em seu amoroso coração de mãe. E você tem esperança de, um dia, rever Oliver, em outra dimensão. Por isso, vou começar respondendo às suas indagações.


Pessoas costumam dizer que os salvos em Cristo que partiram para a eternidade são anjos. Na verdade, o Senhor Jesus ensinou que
“na ressurreição [...], serão como os anjos no céu” (Mt 22.30). Ou seja, quando Ele voltar para buscar o seu povo, no Arrebatamento da Igreja, os mortos em Cristo ressuscitarão (1 Ts 4.16,17) e todos os salvos terão os seus corpos transformados, “conforme o seu corpo glorioso [o de Cristo Jesus], segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Fp 3.19,20). Quando tivermos nossos corpos transformados, seremos como anjos, isto é, não mais sujeitos às leis da natureza. Teremos um corpo similar ao de Jesus, em sua ressurreição.


Mas, se teremos corpos glorificados e seremos como anjos somente no Arrebatamento da Igreja, qual é a condição dos salvos em Cristo que partiram para a eternidade? Onde está Oliver neste momento? O ser humano é tripartido, isto é, formado por espírito, alma e corpo
(1 Ts 5.23). O corpinho de Oliver foi sepultado, mas aquilo que o vivificava, o “homem interior” (espírito+alma), está com o Senhor, no Paraíso (2 Co 12.1-4).


O Paraíso é um lugar de gozo, mas é temporário, haja vista o salvo ali ainda não estar no seu estado de glorificação plena (espírito+alma+corpo), o que só acontecerá por ocasião da ressurreição
(1 Co 15). Mas, mesmo nesse estado intermediário, o salvo em Cristo é consolado pelo Senhor (Lc 16.19-31; Ap 6.9-11).


Você poderá perguntar: “Como posso ter a certeza de que o meu bebê está no Paraíso?” Descanse no Senhor. Ele garantiu que as crianças que morrem antes de atingir a idade da razão estão salvas:
“E Jesus, chamando uma criança, a pôs no meio deles e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus” (Mt 18.2,3).


Há teólogos afirmando que recém-nascidos poderão ser condenados por causa do pecado original, que passou a todos os homens
(Rm 5.12). Outros têm dito que Deus, em sua presciência (atributo exclusivo da deidade pelo qual o Deus trino conhece antecipadamente todas as coisas), condenou recém-nascidos ao Inferno, haja vista saber de antemão que eles não se salvariam ao chegarem à idade da razão. Não acredite nessas teorias! Acredite nas palavras do Senhor Jesus!


Uma condenação justa, baseada no pecado original, só se justifica depois de o pecador tomar conhecimento de que nasceu em pecado
(Sl 51.5; Rm 3.23). Isso não se aplica a um infante que morre ao nascer. Deus é justo e julga a todos com retidão (Gn 18.25; Rm 3.5; 2 Tm 4.8). No Juízo Final, os réus serão condenados de acordo com as suas obras (Ap 20.12,13; 21.8). Que obras más fez um recém-nascido? Aliás, em Marcos 16.16, está escrito: “quem não crer será condenado”. Como um recém-nascido seria condenado, uma vez que morreu antes de alcançar a maturidade necessária para crer?


Creia nas palavras do Senhor Jesus. Ele ensinou que, para entrar no Reino de Deus, é preciso ser como uma criança. E, se as crianças foram tomadas por Ele como exemplo de quem entrará no Reino de Deus, logo todas elas, em sua fase da inocência, têm a garantia do Senhor Jesus de que estão salvas:
“dos tais é o Reino dos céus” (Mt 19.14). Oliver está com o Senhor Jesus, salvo, protegido, aguardando o grande Dia do Arrebatamento! Quanto a você, embora esteja aflita, por ter perdido o seu bebê, saiba que sua vida também está nas mãos do Todo-Poderoso.


Tenho aprendido, querida Cássia, a glorificar a Deus por todas as coisas que acontecem, ainda que não entenda algumas delas. Já enfrentei grandes dificuldades. E aprendi que a vida na terra, mesmo para o cristão, não dispensa o sofrimento. Em momentos de angústia, gosto de me lembrar de
2 Coríntios 4.16: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente”.


Todos passamos por momentos de fraqueza e perguntamos: “Onde estava Deus? Por que Ele não impediu que o mal acontecesse?” Já fiz muito essa pergunta, no meu coração. Você se lembra de que o apóstolo Paulo pediu por três vezes que o Amigo e Pai lhe tirasse uma aflição, e aparentemente não houve resposta alguma? Mas ele não desistiu e recebeu, no momento certo,
a resposta que precisava ouvir, e não a desejava ouvir: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12.9a).


Deus não tirou de Paulo o “espinho” que tanto o afligia. E ele podia ter ficado revoltado com essa atitude do Senhor. Entretanto, aquele apóstolo entendeu que a vida do cristão na terra não é livre de sofrimento. Ele precisa contar com a graça consoladora e fortalecedora do Senhor. E, ao aprender isso, Paulo passou a agir com resignação:
“De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo” (2 Co 12.9b).


É natural que priorizemos o lado negativo, nos momentos de provação. Mas, se Deus tivesse levado seus dois bebês, querida Cássia, mesmo assim você teria razões para glorificá-lo. Ele, que é soberano, lhe deu duas flores, Oliver e Christopher, e recolheu uma delas para o seu jardim, deixando outra aos seus cuidados. Por mais difícil que lhe seja aceitar isso, é preciso glorificar a Deus e ser-lhe grata por lhe ter dado Christopher.


O Senhor muitas vezes não permite que passemos pela angústia. Mas Ele também, assim como aconteceu com o apóstolo Paulo, nos livra na — e durante a — angústia. O que está escrito em
Salmos 46.1? “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia”. Ele conhece bem a sua estrutura, amada serva do Senhor, e sabe o quanto pode suportar.


Que o Deus de toda a consolação conforte o seu coração. E lembre-se de que, no Arrebatamento da Igreja, estaremos todos juntos: você, Oliver, Christopher, este editor de blog, nossos amigos e parentes salvos em Cristo, etc.
“Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras” (1 Ts 4.18).


CSZ

terça-feira, 12 de abril de 2011

O que é o batismo com o Espírito Santo e com fogo? (2)


No artigo anterior, procurei demonstrar, pela analogia geral da Bíblia, que o batismo com o Espírito Santo e com fogo (Mt 3.11; Lc 3.16) é uma coisa só, não havendo base contextual suficiente para a criação de outro batismo de julgamento, distinto do batismo com o Espírito Santo.

Segue-se que o fogo, nas passagens sinóticas mencionadas, foi empregado tão-somente para ajudar-nos a compreender, pela sua riqueza simbólica, a multíplice manifestação do Espírito na igreja. Não foi por acaso que o apóstolo Paulo asseverou: “Não extingais [apagueis] o Espírito” (1 Ts 5.19).

Paulo usou a figura do fogo para ilustrar a manifestação do Espírito no meio do povo de Deus. Isso porque o fogo alastra-se, comunica-se, purifica, ilumina, aquece, etc. Assim é a manifestação do Espírito como fogo.

Para muitos, a dificuldade em aceitar o batismo com o Espírito Santo e com fogo deve-se ao fato de a salvação em Cristo também ser descrita, figuradamente, como um batismo (1 Co 12.13, Gl 3.27; Ef 4.5). Todos os salvos, verdadeiramente, foram batizados pelo Espírito, imersos, feitos participantes do Corpo místico de Cristo, que é a sua Igreja (Hb 12.23; 1 Co 12.12ss). Nesse batismo da conversão, recebemos vida de Deus, mas o batismo com o Espírito e com fogo confere-nos poder de Deus (At 1.8).

Os discípulos que foram agraciados com o revestimento de poder no dia de Pentecostes já eram salvos! Observe a promessa que o Senhor havia feito a eles: “Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At 1.5).

Quando o apóstolo Paulo passou por Éfeso, depois de Apolo, disse aos salvos que ali estavam: “Certamente João [Batista] batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e profetizavam” (At 19.4-6).

Portanto, num sentido, todos os salvos foram batizados pelo Espírito Santo no Corpo de Cristo. Noutro, nem todos foram batizados com o Espírito Santo e com fogo, conquanto esse dom esteja à disposição de cada salvo em Cristo. Afinal, essa “promessa [...] diz respeito [...] a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar” (At 2.39).

Amém?

Ciro Sanches Zibordi

O que é o batismo com fogo?


Na lição 2 da Escola Bíblica Dominical (estudada no último domingo), das Lições Bíblicas deste trimestre (CPAD), está escrito: “Em Lucas 3.16, o fogo é apresentado como elemento purificador na vida de quem recebe o batismo com o Espírito Santo”. Mas, como explicar o fato de João Batista ter falado do fogo do juízo e, no mesmo contexto imediato, aludir a uma ministração do Espírito Santo?

Em Lucas 3.16, lemos: “Eu, na verdade, batizo-vos com água, mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de desatar a correia das sandálias; este vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”. Essa passagem e também Mateus 3.11 nos apresentam, a rigor, dois tipos de batismo: (a) em águas, para arrependimento, e (b) com o Espírito Santo e com o fogo, um revestimento de poder para os salvos em Cristo (cf. Lc 24.49; At 1.5,8; 2.1-4).

Para interpretar as passagens bíblicas corretamente, além da iluminação do Espírito, precisamos levar em conta os princípios da Hermenêutica Bíblica — a arte e a ciência de interpretar os textos das Escrituras. E a principal função dessa matéria é aclarar passagens de difícil compreensão (cf. 2 Pe 3.16), conquanto seja também muito útil na interpretação geral das Escrituras.

O princípio dos princípios de interpretação (a regra áurea) da Hermenêutica Bíblica é: A Bíblia interpreta a própria Bíblia (cf. 2 Pe 1.20,21). Ou seja, as Escrituras são análogas. E, nesse caso, para interpretar uma passagem bíblica, é preciso considerar todos os tipos de contextos: (a) contexto geral; (b) contexto imediato; (c) contexto remoto: há alusões do Gênesis em Hebreus, por exemplo, que complementam o que está no primeiro livro do Antigo Testamento; (d) contexto referencial: passagens paralelas; (e) contexto histórico: época, cultura, ocasião, propósito original dos textos em estudo, etc.; (f) contexto literário: cada parágrafo é uma unidade de pensamento da revelação da Bíblia; (g) contexto cultural: estudo sobre os povos bíblicos.

No caso de Lucas 3.16 (ou Mateus 3.11), o contexto imediato não é suficiente para uma correta interpretação. Por quê? Porque, por meio dele, o exegeta pode ser induzido a interpretar, apressadamente, que há mesmo uma distinção entre o batismo com o Espírito Santo (uma bênção) e o batismo com fogo (juízo divino). E essa conclusão não é corroborada por todos os contextos mencionados.

Em primeiro lugar, o próprio Senhor Jesus, antes de sua ascensão, fez menção do revestimento de poder aludido por João Batista nos seguintes termos: “Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At 1.5). Observe que o Senhor não apresenta o “batismo com fogo”, dando a entender que o Batista apenas aludiu ao fogo de maneira simbólica, para enfatizar os seus aspectos, ilustrando as ministrações do Espírito: iluminação, fervor, purificação, etc.

É importante considerar que João Batista, a despeito de aparecer no Novo Testamento, exerceu um ministério profético nos moldes do Antigo Testamento (Lc 16.16). E para os profetas veterotestamentários era comum falar de bênçãos e juízos de modo intercalado. Veja o caso de Isaías 61.1-3. O profeta discorre sobre várias bênçãos trazidas pelo Messias e, ao mesmo tempo, menciona “o dia da vingança do nosso Deus” (v.2). Em Zacarias 9 ocorre o mesmo: bênçãos e juízos se intercambiam.

Nesse caso, o fato de João Batista ter mencionado antes e depois da promessa do revestimento de poder o juízo por meio do fogo (Mt 3.10-12) não oferece base suficiente para distinguirmos entre o batismo com o Espírito e o batismo com fogo.

De acordo com a analogia geral, o fogo não significa apenas juízo, mas também denota purificação, iluminação e fervor propiciados pelo Espírito. E, por isso, no dia de Pentecostes, “foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles” (At 2.3).

Finalmente, menciono a opinião do respeitado teólogo pentecostal French L. Arrington: “O batismo com fogo [...] não diz respeito, pelo menos primariamente, ao julgamento final e à destruição por fogo dos ímpios, mas aos acontecimentos momentosos do Livro de Atos. A unção com o Espírito não é identificada explicitamente com o batismo com o Espírito e com fogo, mas Jesus confirma a promessa de João Batista acerca do batismo [...], o qual é cumprido como ‘línguas de fogo’ que pousaram sobre cada um dos discípulos” (Comentário Bíblico Pentecostal, CPAD, p.335).

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Não toqueis nos meus ungidos?


A frase bíblica “Não toqueis nos meus ungidos” (Sl 105.15) tem sido empregada para os mais variados fins. Maus obreiros, falsos profetas, adoradores-ídolos e até políticos evangélicos se valem dela para ameaçar seus críticos; crentes mal-orientados usam-na para defender o seu “ungido”, mesmo que ele defenda abertamente o aborto; e outros ainda a empregam para reforçar a ideia de que não cabe aos servos de Deus julgar ou criticar heresias e práticas antibíblicas.

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Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O que está acontecendo com a Assembleia de Deus?


Não sou assembleiólatra. Nunca ignorei os problemas ligados à denominação Assembleia de Deus. Recentemente, por exemplo, posicionei-me contra o envolvimento do líder de uma das importantes convenções assembleianas com o moonismo. Outra prova de que não me apego de modo idolátrico à denominação à qual pertenço é o fato de reconhecer o lado bom das outras denominações, como fiz, há pouco tempo, ao elogiar a Igreja Presbiteriana do Brasil por sua posição contrária às seitas neopentecostais.

Por outro lado, sou cristão, pentecostal e assembleiano. E, nesse caso, não posso concordar com movimentos antipentecostais e antiassembleianos, que, a cada dia, ganham novos adeptos. Por que não concordo com o antiassembleianismo, especificamente? Por ser assembleiano? Prioritariamente, não. Em João 7.24, o Senhor Jesus asseverou: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça”. E muitos oponentes da aludida denominação histórica estão sendo injustos em sua criticidade extremada.

Julgar segundo a reta justiça não é: generalizar, tomando a parte pelo todo; julgar sem conhecer a estrutura de uma denominação; confundir fatos com boatos, principalmente quando se trata de denúncias ligadas a candidatos A e B; basear-se em simbologia forçada para acusar denominações de envolvimento com sociedades secretas; ignorar a história; não reconhecer o lado bom de uma instituição, principalmente quando este é muito superior a fatos negativos isolados.

Vejo na Internet blogs e vídeos no YouTube, bem como recebo e-mails contendo acusações à Assembleia de Deus, de modo genérico. Mas a culpada pelos despropósitos mencionados pelos acusadores é a denominação histórica em apreço ou os pretensos pastores que não fazem jus ao título ministerial que receberam, visto que apresentam condutas e posturas antiassembleianas e até anticristãs?

Ora, Assembleia de Deus é um título, uma denominação, que sofre na mão de muitos enganadores, assim como o título Igreja Batista também tem sido usado de modo inconveniente por muitos. Um dia desses, por exemplo, eu deparei com uma igreja chamada Igreja Batista Ministério Deus É Pentecostal. Seria justo se eu verberasse contra a Igreja Batista, de modo geral, por causa do que vi? Claro que não! Além de generalizar, eu estaria mostrando que desconheço o fato de essa histórica denominação ter se dividido e subdividido, ao longo dos anos.

É claro que esse argumento não se aplica a todas as denominações. A Igreja Universal do Reino de Deus, por exemplo, é única em qualquer lugar e segue a mesma cabeça, sempre. Não há várias Universais dentro da Universal. Entretanto, no caso da Assembleia de Deus e da Igreja Batista, duas denominações que tomei como exemplo no parágrafo anterior, existem várias Assembleias e Batistas espalhadas pelo mundo que não fazem jus ao perfil de suas denominações históricas.

Assim como a Igreja Batista, a Igreja Presbiteriana, a Igreja Metodista, a Igreja Quadrangular, etc. devem ser respeitadas como denominações históricas, a Assembleia de Deus também merece todo o respeito. É preciso priorizar, nas críticas, a parte envolvida, e não o todo.

Quem conhece a complexa estrutura da Assembleia de Deus sabe que, hodiernamente, a CGADB nada tem que ver com a convenção também nacional da CONAMAD, por exemplo. No caso da CGADB, especificamente, a maioria dos Estados brasileiros possui, no mínimo, uma convenção de ministros ligada à Convenção Geral. E cada uma das convenções estaduais são, em certo sentido, independentes, assim como os ministérios associados a elas...

Por graça de Deus, eu viajo bastante para ministrar a Palavra do Senhor e tenho conhecido a Assembleia de Deus de modo abrangente, em todo o Brasil e fora dele. E posso afirmar, de modo peremptório, que essa denominação possui em suas fileiras valorosos homens de Deus em todas as convenções (CGADB, CONAMAD, etc.) e ministérios.

Sou até capaz de citar nomes, de memória, de alguns referenciais da Assembleia de Deus, sem levar em conta convenções nacionais, estaduais, ministérios, campos, setores, por região, em ordem alfabética, de Sul a Norte:

Sul: Arcelino Victor de Melo, Argemiro da Silva, Cesino Bernardino, Daniel Acioli, Edimundo de Souza, Eliezer de Moraes, Ezequiel Montanha, Geraldino da Silva, João Ceno, José Alves da Silva, José Anunciação dos Santos, José Pimentel de Carvalho, José Polini, Juvenil dos Santos Pereira, Ubiratan Batista Job, Wagner Tadeu dos Santos Gaby, etc.

Sudeste:
Alcides Favaro, Alexandre Sá, Álvaro Além Sanches, Anselmo Silvestre, Antonio Gilberto, Antonio Santana, Carlos Roberto da Silva, Celso Brasil, Doronel Camilo, Esequias Soares, Francisco José da Silva, Jayjairo Castelo, Joedson Costa Dias, José Carlos Padilha, José dos Santos, José Prado Veiga, José Wellington Bezerra da Costa, José Wellington Costa Júnior, Josué de Campos, Lauri Villas Boas, Marinaldo Rodrigues, Moisés Rodrigues, Nataniron Cunha, Oscar Domingos de Moura, Salatiel de Carvalho, Samuel Rodrigues, Severino Pedro da Silva, Tarcísio de Abreu, Temóteo Ramos de Oliveira, etc.

Centro-Oeste: Adjair Macedo, Antonio Dionízio da Silva, Elienai Cabral, JosualdoMendes Dreger, Odilon Xavier, Orcival Xavier, Sebastião Rodrigues de Souza, etc.

Nordeste: Aílton José Alves, Elinaldo Renovato de Lima, Erivelto Gonçalves, Joeser Santana, José Antonio dos Santos, José Apolônio, José Gonçalves, José Guimarães Coutinho, José Teixeira Rêgo Neto, Josué Brandão, Martim Alves da Silva, Nestor Mesquita, Ozires Pessoa, Pedro Aldi Damasceno, Raimundo João de Santana, Raul Cavalcante, Roberto dos Santos, Virgílio de Carvalho Neto, etc.

Norte: Baltazar Cardoso, David Tavares Duarte, Edson Alves da Silva, Gedeão Grangeiro, Gilberto Marques, João Feitosa, Joel Holder, Nelson Luchtemberg, Océlio Nauar, Samuel Câmara, etc.

Se deixei de citar nomes de eminentes pastores que fazem parte da Assembleia de Deus foi por puro esquecimento, haja vista ter mencionado todos eles de memória, praticamente. Mas o que desejo dizer é que a Igreja Evangélica Assembleia de Deus é muito maior que pastores (ou grupos de pastores) que se desviaram da verdade por amor ao dinheiro (2 Pe 2.1-3; 2 Co 2.17) e outros interesses. Ela é muito maior que disputas políticas e desavenças pessoais.

Diante do exposto, não considero justo denegrir denominações históricas, reconhecidamente compromissadas com o Evangelho, por causa de acontecimentos isolados recentes. Na verdade, se essa criticidade generalizante fosse justa perante Deus, nenhuma denominação histórica escaparia. Todas elas, sem exceção, em algum momento, tiveram em suas fileiras pessoas mal-intencionadas que promoveram escândalos. Penso que a crítica relevante e proveitosa é a que é feita segundo a reta justiça, levando-se em consideração todas as exceções possíveis.

De um assembleiano que ama a Assembleia de Deus, mas adora o Deus da Assembleia,

Ciro Sanches Zibordi